1. O álbum “Let It be” foi criado para assinalar a separação dos Beatles?

Chegou às lojas a 8 de maio de 1970. “Let It Be” foi o 13.º e último álbum lançado pela banda britânica. Nessa altura já John Lennon e Paul McCartney não faziam parte dos Beatles. No entanto, este disco não é uma premonição do fim, uma vez que não foi o último a ser gravado. As gravações para este álbum começaram em janeiro de 1969, antes da banda gravar o disco “Abbey Road” – o 12.º álbum, que viria a ser editado em 26 de setembro de 1969.

No entanto, o disco “Let It Be” inclui alguns dos momentos finais da banda, sem que houvesse sinais da rotura entre os cantores. Um deles é a última apresentação pública dos Beatles: a 30 de janeiro de 1969, a banda fez um mini-concerto no telhado dos estúdios da discográfica Apple, em Savile Row, Londres, que figura no documentário de bastidores que acompanha “Let It Be”. Três das sete músicas gravadas neste concerto fazem parte do álbum final. A polícia teve de pedir aos Beatles que parassem a atuação devido aos tumultos que existiam nas ruas.

O lançamento do álbum “Let It Be” estava inicialmente marcado para julho de 1969, tendo sido adiado por várias vezes para que fosse lançado em conjunto com o documentário. Em setembro desse ano, a banda optou por avançar primeiro com “Abbey Road”, que já estava pronto para ser lançado. Foi por esta altura que John Lennon anunciou à banda a sua saída. Segundo o siteA Bíblia dos Beatles”, Lennon comunicou ao grupo a sua intenção de abandonar o grupo no dia 20 de setembro de 1969, tendo mantido este anúncio em segredo do público.

Reduzidos a três elementos, os Beatles continuaram juntos durante alguns meses, tendo realizado novas gravações para o disco “Let It Be” – incluindo a música “I Me Mine” que foi gravada sem a presença de Lennon. Esta canção foi masterizada e incluída no álbum final, mas o resultado não agradou à banda.

O último disco gravado pelos Beatles foi lançado em maio de 1970 e, 50 anos depois (mais um devido à pandemia), foi reeditado agora numa edição especial de aniversário. A edição é composta por três CDs, um LP, um EP e um blu-ray com as mais famosas músicas da banda britânica.

2. Yoko Ono foi a responsável pelo fim dos Beatles?

Mesmo passados 50 anos do fim da banda, os fãs continuam a apontar o dedo à mulher de John Lennon como principal responsável pela separação da banda. Yoko Ono e Lennon casaram em março de 1969, pouco mais de um ano antes do lançamento de “Let It Be”, e eram completamente inseparáveis. O cantor britânico insistia em levar Yoko Ono para todas as sessões de gravação, o que terá causado alguma tensão com os restantes membros da banda.

É, porém, impossível afirmar que houve uma única razão para o fim da banda. Nesta altura, os quatro elementos dos Beatles tinham também outros problemas que começavam a criar mal-estar entre o grupo. George Harrison, por exemplo, guardava ressentimento por ver as suas sugestões de músicas a serem constantemente ignoradas pelos colegas, de acordo com o "The Washignton Post". Além disso, a banda não estava a conseguir concordar na localização do espetáculo ao vivo que iria ser gravado para o final do documentário “Let It Be”.

Mas a disputa final terá sido devido a um “negócio”, como conta Paul McCartney em entrevista à Al Jazeera, em 2012. O cantor queria contratar os seus novos sogros – os advogados Lee e John Eastman – para fazer serem responsáveis pela supervisão dos Beatles e da Apple, enquanto os restantes membros da banda – Lennon, Harrison e Starr – defendiam que a pessoa responsável por esse papel devia ser o empresário norte-americano Allen Klein. Nessa entrevista, McCartney afirma que “ela [Yoko Ono] certamente não separou o grupo, o negócio separou-nos”.

3. Os Beatles eram contra o uso de fatos e gravatas nos concertos?

Provavelmente a primeira memória que virá à cabeça quando pensa nos Beatles é os quatro elementos de fato e gravata. De facto, esta vestimenta tornou-se uma imagem de marca para a banda, no entanto há quem diga que os cantores não concordaram com a mudança de estilo. Inicialmente Lennon, McCartney, Harrison e Starr apresentavam-se de calças de ganga e blusão de cabedal.

Em 1970, John Lennon atribuiu a responsabilidade da mudança de guarda-roupa ao manager, Brian Epstein, que os pôs “em fatos e camisas limpos”, acrescentando que “Paul [McCartney] concordou logo com ele”. “Eu não gostava disso, e tentei que o George [Harrison] se opusesse comigo”, conta ainda o cantor. À revista "Rolling Stone", Lennon chegou a dizer que a banda “vendeu-se” ao mudar de estilo.

No entanto, em outros momentos, os cantores partilharam versões diferentes da história. Paul McCartney contou, no livro “Analogia dos Beatles”, citado pelo "The Washinton Post" que “não arrastou ninguém para os alfaiates”. Também George Harrison afirmou que “com a t-shirt preta, as roupas de cabedal pretas e suadas” a banda parecia um grupo de hooligans, acrescentando que mudaram “de boa vontade para os fatos”.

O próprio John Lennon disse à "Hit Parader", em 1975, que as roupas de cabedal faziam com que “os promotores dos salões de festas não gostassem” dos Beatles. “Nós gostávamos dos casacos de cabedal e das calças de ganga, mas queríamos um bom fato, até para usar fora do palco. Eu vestiria… um balão se alguém me pagasse para o fazer”, afirmou Lennon.

4. A música “Lucy in the Sky with Diamonds” é uma ode à droga LSD?

A música “Lucy in the Sky With Diamonds” é muitas vezes ligada ao consumo de drogas, principalmente LSD. A ligação que os fãs fizeram entre a música e a droga LSD está relacionada com as iniciais das palavras: Lucy – L + Sky – S + Diamonds – D. Consideravam que era intencional, uma vez que a LSD era uma droga muito referida na comunicação social na altura.

No entanto, John Lennon recusa que tenha havido qualquer intenção na criação do título da música. Conta que foi inspirado num desenho que o filho fez quando tinha quatro anos: ao chegar a casa da escola, Julian entregou um desenho ao pai dizendo que era “Lucy in the Sky with Diamonds” – “Lucy no céu com diamantes”, em português – o que inspirou John Lennon a escrever a música.

O cantor foi muitas vezes questionado se as palavras foram escolhidas para que as suas iniciais soletrassem LSD, mas o cantor recusou qualquer acróstico intencional. Afirmou várias vezes que só se apercebeu depois do lançamento, quando lhe disseram. Segundo o Snopes, o cantor britânico jurou, numa entrevista à "Rolling Stones", em 1970, não se ter apercebido da ligação: “'Lucy in the Sky with Diamonds'… Juro por Deus, juro por Mao ou por que quer que seja, não fazia ideia que dava LSD.”

Anos depois, Lennon contou à revista "Playboy", citado pela mesma plataforma de fact checking, a mesma história: “o meu filho Julian chegou um dia com um desenho que tinha feito sobre uma colega da escola que se chamava Lucy. Ele desenhou algumas estrelas no céu e chamou-lhe ‘Lucy in the Sky with Diamonds’. Simples.”

A história é repetida pelos vários elementos da banda e contada também por Pete Shotton, amigo de infância do cantor, que afirma ter presenciado esse momento. Conta que “apesar de John ter certamente ingerido quantidades excessivas de ácidos por aquela altura em que escreveu “Lucy in the Sky with Dimonds”, o trocadilho foi de facto uma mera coincidência”.

5. Ringo Starr não era “sequer o melhor baterista nos Beatles”?

Este mito é muitas vezes associado a uma suposta declaração de John Lennon: “Ringo não é o melhor baterista do mundo. Não é sequer o melhor baterista nos Beatles.” No entanto, esta frase não terá sido dita pelo cantor, mas sim pelo comediante Jasper Carrott, num programa de televisão em 1983. Segundo o "The Washington Post", a descoberta foi feita por Mark Lewisohn, autor do “Tune In”.

Na verdade, Lennon defendeu o baterista numa das últimas entrevistas que deu: “Ringo é um excelente baterista”, disse, sublinhando que este já tocava profissionalmente mesmo antes dos Beatles iniciarem a sua carreira. Mas Lennon não foi o único a enaltecer o talento de Starr: McCartney disse, em entrevista à "Rolling Stone", em 2016, que Ringo “tem um feel que mais ninguém tem”.

Ringo Starr faz parte do Passeio da Fama do Rock and Roll desde 2015, figurando entre os melhores bateristas de todos os tempos – tal como Dave Grohl, Taylor Hawkins, Questlove, entre outros.

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