O vídeo tem mais de 36 milhões de visualizações. Nas imagens, surge uma jovem sentada nas bancadas de um jogo do Mundial, com uma camisola da seleção brasileira vestida. Ao seu lado, vê-se um homem a olhar para o seu decote e a tentar disfarçar a ação. Segundo as legendas, as imagens teriam sido extraídas da transmissão em direto do jogo entre o Brasil e Marrocos. Mas, na verdade, nem sequer são reais.
O jornal “Maldita” seguiu o rasto deste vídeo. O conteúdo foi publicado a 15 de junho de 2026, numa conta do Instagram com mais de 320 mil seguidores, com o nome de utilizador “Chiara Cleo”. Nesta conta, numa das imagens de secção de histórias em destaque, existe um link para o Fanvue, uma plataforma onde os criadores monetizam conteúdo erótico ou sexual por assinatura, focada principalmente em modelos ou influenciadoras geradas por inteligência artificial.
Este não é um caso isolado. O “Maldita” identificou outros perfis que se tem aproveitado desta tendência crescente nas redes sociais: vídeos de mulheres, geralmente jovens e atraentes, a torcer por alguma seleção de futebol. O objetivo é um: atrair os utilizadores para plataformas com conteúdo pornográfico pago.
Na rede social X, a conta “Al Satin Beauty” publicou, pelo menos, três destes vídeos, entretanto apagados, que servem de isco para direcionar o utilizador para um perfil no Fanvue com mais de 270 vídeos e imagens sob a descrição “cetim, nylon, látex, gloss, estilo e obsessão”.
Numa desta publicações, partilhada a 10 de junho, mostravam-se supostas adeptas da seleção espanhola de futebol num jogo entre Espanha e a Argentina, um encontro que a 25 de junho ainda não se tinha realizado.
Noutro perfil do X, com o nome de utilizador “Peachy Mel“, repetia-se o mesmo padrão. A 16 de junho de 2026, a conta publicou pelo menos duas imagens de mulheres enquadradas no contexto do Mundial de Futebol. Os conteúdos já não estão disponíveis.
A biografia inclui uma ligação para uma página na Fanvue identificada como “Melissa Starova”, nome que surge associado a vários outros perfis no X. Num deles, a alegada autora descreve-se como uma “ucraniana de 30 anos com seios pequenos e pensamentos obscenos”.
O jornal espanhol também localizou contas que redirecionam para OnlyFans, uma plataforma de financiamento coletivo de conteúdos adultos e pornográficos, e para plataformas de mensagens privadas como o Telegram.
Um perfil no X que publica habitualmente conteúdos relacionados com o fetiche dos pés também partilhou pelo menos uma publicação associada ao Mundial. Na biografia, disponibiliza uma ligação para o Telegram, onde anuncia a “venda de conteúdo +18”.
O “Maldita” contactou o responsável pela conta, que explicou disponibilizar dois tipos de subscrição: uma modalidade VIP por 500 pesos mexicanos (cerca de 25 euros) por mês, que inclui acesso a “fotografias e vídeos, todos muito explícitos”, e uma subscrição standard por metade desse valor, que dá acesso apenas a fotografias que descreve igualmente como “muito explícitas”.
Além da promoção de conteúdos para adultos, algumas destas publicações são também utilizadas para divulgar videojogos de temática sexual ou ferramentas para criar vídeos com recurso a Inteligência Artificial.




