A 8 de setembro, o presidente da Câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani, chocou nova-iorquinos ao revelar documentos nunca antes divulgados sobre a qualidade do ar na sequência dos ataques de 11 de setembro às torres gémeas. Poucas horas antes, o Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, discursou sobre as suas experiências nos dias após a tragédia, em 2001, e fez as suas próprias revelações, escrutinadas pelo “Politifact“.
Carregado dos “escombros”
Esta não é a primeira vez que Donald Trump fala das suas vivências no dia dos ataques terroristas em território americano. O Presidente norte-americano disse ter-se dirigido ao “Ground Zero” imediatamente após a colisão do segundo avião e explicou como foi ajudado por bombeiros que o terão retirado do local devido ao ranger de um outro edifício, o “One Liberty Plaza”:
“Estava a construir um prédio grande em Nova Iorque e levei toda a equipa para lá assim que isto aconteceu. (…) Nunca vou esquecer dois bombeiros. Pensámos que o edifício ia cair em cima de nós, e dois bombeiros, grandes e fortes – e eu não sou propriamente o tipo mais pequeno do mundo – agarraram-me debaixo do braço e disseram: ‘Temos de sair daqui.’ E literalmente levantaram-me. Isso não é fácil de fazer. Sou um tipo grande. Levantaram-me e começaram a correr comigo. Eu disse: ‘Rapazes, eu consigo correr sozinho”, mas eles foram incríveis”, explicou.
O político nascido em Nova Iorque já tinha contado esta história. Em 2021, relatou uma versão semelhante e mais curta do episódio com os bombeiros. Apesar de existirem testemunhos sobre o perigo de colapso do edifício, nenhum deles refere a presença de Trump.
Mas nem Trump está seguro da data em que isto aconteceu: “Eu estava lá, obviamente não no mesmo dia do colapso, mas logo depois”, escreveu na sua própria rede social “Truth Social”.
De facto, o primeiro registo de Donald Trump próximo do local do ataque surge a 13 de setembro, quando foi entrevistado pela estação televisiva alemã N24. Nesse mesmo dia, o atual Presidente dos EUA também prestou declarações à imprensa norte-americana, onde não fez qualquer menção à sua retirada do local por equipas de primeiros socorros.
Auxílio prestado pelo magnata
Além de garantir ter estado presente no dia do ataque, Trump alegou ainda, a 13 de setembro de 2001, ter enviado centenas de trabalhadores para ajudar nos esforços de remoção dos destroços: “Tenho centenas de homens a trabalhar e vamos trazer mais 125 em pouco tempo e eles nunca trabalharam como aqui”. Num comício em Buffalo, em 2016, foi mais longe e disse ter ajudado a limpar os escombros.
Segundo o “Politifact”, não existem provas de que Donald Trump tenha levado trabalhadores para o local. Em 2019, Richard Alles, na altura chefe de batalhão do departamento de bombeiros de Nova Iorque, confessou nunca ter visto o Presidente: “Haveria um registo disso. Toda a gente trabalhou sob a supervisão direta da polícia, dos bombeiros e do comandante dos serviços de emergência. Será possível ele ter estado lá sozinho e eu não ter sabido? É possível, mas não conheço ninguém que o tenha visto lá.”
Alguns meios de comunicação social, como o “The Washington Post”, dão conta da presença de Donald Trump no “Ground Zero”, mas apenas a partir de 13 de setembro e nunca acompanhado dos seus trabalhadores.
O maior prédio em Nova Iorque
No dia do ataque, Donald Trump foi entrevistado, à distância, por uma estação televisiva local e deu a conhecer a sua perspetiva do acontecimento. Disse ter assistido à colisão do segundo avião a partir da janela do seu escritório e estar “desapontado” pelo encerramento da bolsa de valores.
Quando questionado sobre o prédio que detinha, Trump afirmou que, após a destruição do “World Trade Center”, o seu era agora o maior prédio em Nova Iorque.
“O 40 Wall Street era, na verdade, o segundo edifício mais alto da baixa de Manhattan e, na verdade, antes do World Trade Center, era o mais alto. E depois, quando construíram o World Trade Center, passou a ser considerado o segundo mais alto e agora é o mais alto.”
O “The Washington Post” tomou nota de todos os arranha-céus presentes na cidade americana em 2001 e concluiu que o prédio de Trump era, na verdade, o segundo mais alto. Com um total de 290 metros de altura, o edifício localizado em 70 Pine Street é cerca de 8 metros mais alto do que aquele em 40 Wall Street.


