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Donald Trump e o 11 de Setembro: o que se sabe sobre as histórias do “cidadão privado” que diz ter ajudado a limpar os escombros

Esta sexta-feira assinala-se o 25º aniversário dos ataques de 11 de setembro, quando dois aviões voaram diretamente contra os edifícios das torres gémeas, em Nova Iorque. No "Ground Zero", Donald Trump terá não só escapado à morte com a ajuda de bombeiros mas também ajudado a limpar os escombros. Mas há inconsistências e efabulações nas histórias do Presidente dos Estados Unidos.
© EPA/SHAWN THEW

A 8 de setembro, o presidente da Câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani, chocou nova-iorquinos ao revelar documentos nunca antes divulgados sobre a qualidade do ar na sequência dos ataques de 11 de setembro às torres gémeas. Poucas horas antes, o Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, discursou sobre as suas experiências nos dias após a tragédia, em 2001, e fez as suas próprias revelações, escrutinadas pelo “Politifact“.

Carregado dos “escombros”

Esta não é a primeira vez que Donald Trump fala das suas vivências no dia dos ataques terroristas em território americano. O Presidente norte-americano disse ter-se dirigido ao “Ground Zero” imediatamente após a colisão do segundo avião e explicou como foi ajudado por bombeiros que o terão retirado do local devido ao ranger de um outro edifício, o “One Liberty Plaza”:

“Estava a construir um prédio grande em Nova Iorque e levei toda a equipa para lá assim que isto aconteceu. (…) Nunca vou esquecer dois bombeiros. Pensámos que o edifício ia cair em cima de nós, e dois bombeiros, grandes e fortes – e eu não sou propriamente o tipo mais pequeno do mundo – agarraram-me debaixo do braço e disseram: ‘Temos de sair daqui.’ E literalmente levantaram-me. Isso não é fácil de fazer. Sou um tipo grande. Levantaram-me e começaram a correr comigo. Eu disse: ‘Rapazes, eu consigo correr sozinho”, mas eles foram incríveis”, explicou.

O político nascido em Nova Iorque já tinha contado esta história. Em 2021, relatou uma versão semelhante e mais curta do episódio com os bombeiros. Apesar de existirem testemunhos sobre o perigo de colapso do edifício, nenhum deles refere a presença de Trump.

Mas nem Trump está seguro da data em que isto aconteceu: “Eu estava lá, obviamente não no mesmo dia do colapso, mas logo depois”, escreveu na sua própria rede social “Truth Social”.

De facto, o primeiro registo de Donald Trump próximo do local do ataque surge a 13 de setembro, quando foi entrevistado pela estação televisiva alemã N24. Nesse mesmo dia, o atual Presidente dos EUA também prestou declarações à imprensa norte-americana, onde não fez qualquer menção à sua retirada do local por equipas de primeiros socorros.

Auxílio prestado pelo magnata

Além de garantir ter estado presente no dia do ataque, Trump alegou ainda, a 13 de setembro de 2001, ter enviado centenas de trabalhadores para ajudar nos esforços de remoção dos destroços: “Tenho centenas de homens a trabalhar e vamos trazer mais 125 em pouco tempo e eles nunca trabalharam como aqui”. Num comício em Buffalo, em 2016, foi mais longe e disse ter ajudado a limpar os escombros.

Segundo  o “Politifact”, não existem provas de que Donald Trump tenha levado trabalhadores para o local. Em 2019, Richard Alles, na altura chefe de batalhão do departamento de bombeiros de Nova Iorque, confessou nunca ter visto o Presidente: “Haveria um registo disso. Toda a gente trabalhou sob a supervisão direta da polícia, dos bombeiros e do comandante dos serviços de emergência. Será possível ele ter estado lá sozinho e eu não ter sabido? É possível, mas não conheço ninguém que o tenha visto lá.”

Alguns meios de comunicação social, como o “The Washington Post”, dão conta da presença de Donald Trump no “Ground Zero”, mas apenas a partir de 13 de setembro e nunca acompanhado dos seus trabalhadores.

O maior prédio em Nova Iorque

No dia do ataque, Donald Trump foi entrevistado, à distância, por uma estação televisiva local e deu a conhecer a sua perspetiva do acontecimento. Disse ter assistido à colisão do segundo avião a partir da janela do seu escritório e estar “desapontado” pelo encerramento da bolsa de valores.

Quando questionado sobre o prédio que detinha, Trump afirmou que, após a destruição do “World Trade Center”, o seu era agora o maior prédio em Nova Iorque.

“O 40 Wall Street era, na verdade, o segundo edifício mais alto da baixa de Manhattan e, na verdade, antes do World Trade Center, era o mais alto. E depois, quando construíram o World Trade Center, passou a ser considerado o segundo mais alto e agora é o mais alto.”

O “The Washington Post” tomou nota de todos os arranha-céus presentes na cidade americana em 2001 e concluiu que o prédio de Trump era, na verdade, o segundo mais alto. Com um total de 290 metros de altura, o edifício localizado em 70 Pine Street é cerca de 8 metros mais alto do que aquele em 40 Wall Street.

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