Hoje, 12 de dezembro, os eleitores britânicos são chamados às urnas para eleger o próximo Primeiro-Ministro. As sondagens apontam para uma vitória de Boris Johnson, depois de uma campanha em que os rumores e as manobras de informação e contra-informação estiveram em grande destaque. O site espanhol de fact-checking Maldita.es fez um levantamento dos principais fenómenos de desinformação que marcaram a campanha.

  • Assessores de imprensa do Partido Conservador fizeram-se passar por um site de fact-checking durante o debate televisivo entre Boris Johnson e Jeremy Corbin.

Foi no passado dia 19 de novembro. Enquanto decorria o confronto em frente às câmaras, o departamento de comunicação dos Conservadores travava uma luta no Twitter. Na ânsia de condicionar as correntes de opinião sobre o que estava a acontecer, alterou o seu nome de usuário no Twitter para “FactCheckUK”, afirmando-se como uma plataforma de verificação de informações. Sob esta designação publicaram vários tweets depreciativos do Partido Trabalhista e o seu líder. Em comunicado de imprensa, o Twitter ameaçou tomar uma ação “decisiva e corretiva” caso se verificassem mais situações como esta.

  • Conservadores partilharam na internet um vídeo manipulado em que Keir Starmer, uma das principais figuras do Partido Trabalhista, surge a admitir que desconhece a posição do seu partido sobre o Brexit.

As imagens divulgadas são uma versão manipulada de uma parte de uma entrevista de Starmer ao programa Good Morning Britain. Na versão original, disponível no Youtube, é possível constatar, aos 9m38, que Keir Starmer respondeu de imediato à questão.

  • Os partidos Liberal-Democrata e Trabalhista fizeram propaganda através de panfletos em forma de jornais locais para conferir credibilidade à sua mensagem.

Nos panfletos distribuídos pelos “lib dems”como se fossem órgãos de comunicação, a informação promovia os candidatos e referia de forma elogiosa algumas das sua propostas eleitorais. Também os trabalhistas seguiram o mesmo método, mas com um pouco mais de pudor: colocaram em tamanho reduzido o logótipo do partido no canto inferior direito.

  • O assessor do ministro da Saúde britânico foi agredido por um manifestante à saída de um hospital.

Depois de se dirigir a um hospital, o ministro da Saúde britânico, Matt Hancock, deparou-se com uma manifestação que se indignava depois da divulgação da imagem de uma criança doente a dormir no chão - exatamente o motivo que estivera na base da sua decisão de deslocar-se à unidade hospitalar. A jornalista da BBC Laura Kuenssberg e o jornalista Robert Peston, da ITV, tweetaram que um dos manifestantes tinha dado um murro ao assessor de Matt Hancock. No entanto, esta informação veio a ser desmentida depois da publicação de um vídeo que mostrava que o choque foi acidental.

  • Jeremy Corbin citou erradamente um documento para legitimar informação que o mesmo não veiculava.

Jeremy Corbyn afirmou, citando um documento oficial, que a privatização do Sistema de Saúde Britânico estava "sobre a mesa" em negociações entre o Reino Unido e os Estados Unidos da América. Porém, o site britânico de fact-checking Full Fact reviu as 451 páginas desse mesmo documento e concluiu que estas provam que algo foi acordado, mas não explicam o que foi. O líder trabalhista não especificou onde obteve o documento em causa, mas o site Reddit revelou que foi publicado em outubro na sua plataforma por uma conta que foi suspensa por ter ligações à Rússia.

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