É verdade que Vítor Godinho morreu no final de março no Hospital de São Sebastião, em Santa Maria da Feira. Com 14 anos de idade, chegou a ser apontado como a mais jovem vítima da pandemia de Covid-19 em Portugal, na medida em que tinha testado positivo ao novo coronavírus. No entanto, a autópsia indicou que a causa da morte tinha sido uma meningite. Um caso classificado como “complexo” pelas autoridades de saúde nacionais.

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A imagem do jovem português está a ser utilizada em fake news que visam denunciar que a pandemia de Covid-19 é uma fraude e que os meios de comunicação social estão a difundir mentiras.

Anatomia de uma fake news viral

“Morre um menino/menina em Inglaterra/Bélgica/Portugal de 12/13/14 anos, que se converte na vítima mais nova a morrer de coronaFRAUDEvírus. O menino/menina também tem o record de morrer em três países diferentes. Que Deus tome conta dele/dela”, denuncia-se na mensagem da publicação em causa, acusando os meios de comunicação social de inventarem a morte de uma criança com o novo coronavírus.

Em que é que se baseia a acusação? Como explica a "Maldita.es", plataforma espanhola de verificação de factos, as alegações contra os media são sustentadas pelo facto de as três notícias, sobre vítimas diferentes da pandemia, serem todas ilustradas com a mesma fotografia. 

A primeira notícia que aparece na montagem é do jornal britânico "Daily Mail". No artigo publicado a 29 de março, informando que o adolescente português é a vítima mais jovem causada pelo novo coronavírus na Europa, Vítor Godinho é corretamente identificado. Ou seja, nesta notícia não há qualquer erro. 

A segunda imagem utilizada na montagem  é de uma publicação na rede social Facebook, onde se apela a uma cadeia de oração por Ismail, um jovem de 13 anos que morreu no Reino Unido devido ao novo coronavírus. 

Os três primeiros parágrafos da publicação foram retirados de uma notícia do jornal britânico "Daily Record", na qual se informa que Ismail Mohamed Abdulwahab, de 13 anos, faleceu em Londres devido à Covid-19. Mas a notícia não inclui a fotografia de Vítor Godinho, nem relaciona a imagem com a morte da criança britânica. 

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Ou seja, neste caso, é a publicação colocada a circular no Facebook, e não a notícia do "Daily Record", que identifica incorretamente a vítima. 

Na terceira imagem da montagem sugere-se que o "Daily Express" usou a imagem de Vítor Godinho para o identificar como sendo uma menina de 12 anos que também morreu de Covid-19, mas desta vez na Bélgica. Uma alegação que é igualmente falsa. 

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O artigo relata, de facto, a morte da criança belga, mas inclui a fotografia do jovem português no texto, ao referir-se a outras crianças que morreram devido à infecção pelo novo coronavírus. E identifica corretamente Vítor Godinho.

Tal como está sinalizado no artigo do "Maldita.es", a montagem que denuncia uma suposta fraude dos media internacionais sobre a Covid-19 utiliza abusivamente a imagem do jovem português falecido em março para reproduzir desinformação.

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