1.

O rumor:

Nicolás Maduro ordenou que toneladas de comida enviada para a Venezuela por organizações de apoio humanitário fossem despejadas num terreno e numa reserva de água. Enquanto isso, a população venezuelana passava fome.

A verdade:

Foram muitas as organizações que se reuniram para ajudar a população venezuelana, enviando comida e medicamentos. Nas redes sociais, Maduro era acusado de ter ordenado que a comida proveniente das organizações humanitárias fosse despejada em aterros. Mas é mentira. As fotografias que se tornaram virais foram, de facto, tiradas na Venezuela mas integravam uma reportagem feita por fotojornalistas que tinha como objetivo denunciar os empresários que importavam comida com o prazo de validade próximo do fim e depois acabavam por deitá-la fora por já não estar própria para consumo.

Apesar de não ter ordenado o despejo da comida, é verdade que Nicolás Maduro decidiu fechar as fronteiras com o Brasil, de forma a impedir a entrada dos apoios internacionais, justificando que a ajuda humanitária seria um disfarce para preparar um golpe de Estado.

2.

O rumor:

Circulou insistentemente nas redes sociais uma reprodução de print-screens das supostas contas de Jair Bolsonaro e de Juan Guaidó no Twitter. Num deles, o presidente brasileiro escreve: "Se autoproclamar presidente é fácil, quero ver governar. Boa noite a todos!". Noutro, em resposta Guaidó afirma: "Um chefe de estado não exerce a democracia pelo Twitter".

guiado

A verdade:

Nem Guaidó nem Bolsonaro fizeram as publicações nos respetivos perfis no dia 8 de março, a data indicada na reprodução. Nesse dia, o líder brasileiro, que é um habitual utilizador do Twitter, debruçou-se sobre a reforma da segurança social do Brasil, um dos temas politicamente mais sérios do país. Já Guaidó, limitou-se a comentar o apagão que naquela momento atingia a Venezuela há mais de 80 horas.

3.

O rumor:

Segundo uma publicação que circulou insistentemente nas redes sociais, Venezuela transformara-se na nova Cuba, ao ser completamente comunizada: A iniciativa privada ia acabar, todas as propriedades deveriam ser entregues ao Estado e a prática religiosa seria proibida.

A verdade:

Estes são boatos recorrentes com o objetivo de fragilizar os governos e partidos de esquerda. Na Venezuela, a iniciativa privada não recebe qualquer tipo de vantagem por parte do Estado, o que já fez com que muitas companhias tenham decidido abandonar o país. Porém, nunca foi dito pelo governo de Maduro que o sector privado seria extinto. Quanto à entrega de propriedades ao Estado e à proibição religiosa, são também informações falsas, já utilizadas noutros rumores sobre outros países.

4.

O rumor:

Depois de Juan Guaidó se ter autoproclamando presidente interino da Venezuela, circulou nas redes uma informação segundo a qual Nicolás Maduro estaria em fuga para Cuba.

A verdade:

A proximidade entre os regimes venezuelano e cubano era a justificação perfeita para apoiar o boato de que Nicolás Maduro estaria em fuga para Cuba. E, depois de o governo cubano ter proclamado “apoio e solidariedade” ao presidente venezuelano através do Twitter, tudo parecia alinhar-se. A isso juntam-se fotografias e vídeos do suposto avião privado em que Maduro embarcou e o rumor estaria completo e pronto a ser viralizado. No entanto, não passou disso mesmo: um rumor. A fuga de Maduro nunca aconteceu.

5.

O rumor:

Jesus apareceu entre as nuvens na Venezuela para anunciar que a profecia se estava a cumprir.

A verdade:

Depois de Nicolás Maduro garantir que viu a cara de Hugo Chávez numa parede em Caracas, foi a vez de Jesus Cristo aparecer. Existem duas imagens que se tornaram virais: uma em que surge o suposto vulto de Jesus sozinho e outra em que Cristo é acompanhado por um exército de anjos. Enquanto a primeira representa um acontecimento real fotografado na Venezuela, a segunda trata-se de uma imagem manipulada no programa de tratamento de imagens photoshop.

Porém, na primeira fotografia, uns diziam que se tratava de Jesus Cristo e outros afirmavam ser a Virgem Maria. Trata-se de um fenómeno psicológico chamado pareidolia, que faz com que as pessoas associem um significado concreto a um estímulo vago. Neste caso o estímulo seriam as nuvens e o significado a imagem de Jesus.

6.

O rumor:

A tensa relação entre os governos de Maduro e de Jair Bolsonaro fez com que a Venezuela decidisse colocar mísseis S-300 na fronteira com o Brasil.

A verdade:

A informação foi avançada pela página brasileira “DefesaNet”, no fim de fevereiro de 2019, e é falsa. A imagem que acompanha a notícia é antiga e foi publicada no site América Militar, referindo-se à “brigada de Defesa Aérea dos Llanos”, uma região localizada no norte da América do Sul que ocupa parte do território da Venezuela parte do da Colômbia. O Ministério da Defesa brasileiro emitiu um comunicado afirmando que não existia “informação oficial sobre essa suposta ação venezuelana”

7.

O rumor:

Os bombardeiros russos TU-160 cruzaram o espaço aéreo brasileiro, o que motivou a mobilização da 4.ª frota da Marinha norte-americana para agir em retaliação, caso fosse necessário.

A verdade:

De facto a Rússia enviou bombardeiros TU-160 para a Venezuela, mas não há qualquer prova de que tenham cruzado o espaço aéreo brasileiro. A informação foi baseada num comentário do diplomata Miguel Gustavo de Paiva Torres, que no seu blogue criticava o facto de os bombardeiros russos terem sido enviados para a Venezuela.

cacas

Em momento algum o diplomata fez referência à violação do espaço aéreo brasileiro. Paiva Torres defendeu que o Brasil deveria exigir explicações à Rússia por esta ter colocado os bombardeiros perto da sua fronteira. Quanto à reação da marinha norte-americana, trata-se também de uma falsidade. Os últimos registos da presença da 4.ª frota da marinha norte-americana ao largo do Brasil datam de 18 de novembro de 2018, sendo que os bombardeiros aterraram na Venezuela em dezembro de 2018.

8.

O rumor:

Nicolás Maduro mandou matar uma mulher por esta se ter recusado a participar numa manifestação de apoio ao presidente.

A verdade:

A mulher é Rosa del Carmen Castillo, uma moradora de Simón Bolivar, no estado Zulia. Apesar do vídeo do seu assassinato ter sido associado à resistência a Nicolás Maduro, a morte da mulher não tem nada a ver com presidente venezuelano. A casa de Castillo tinha sido assaltada e a mulher decidiu denunciar a situação à polícia. As autoridades reagiram e acabaram por matar um dos elementos do grupo que assaltou a casa. Depois disso, o gangue decidiu vingar-se, matando a denunciante. Ou seja, o caso retratado no vídeo aconteceu na Venezuela, mas não está relacionado com o apoio ou resistência a Nicolás Maduro.

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