Portugal reconheceu e apoiou hoje a legitimidade de Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela com a missão de organizar eleições presidenciais livres e justas. O anúncio foi feito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, no que foi uma posição esperada, tendo em conta a situação de calamidade em que se encontra o país (ainda) liderado por Nicolas Maduro.

Apesar da pressão da comunidade internacional para abandonar o poder, o presidente venezuelano, apoiado pela maioria dos militares, não vacila, ameaçando arrastar o país para uma guerra civil que agudizará ainda mais as já débeis condições em que vive a população venezuelana. Segundo a Fundação Bengoa, que anualmente realiza uma sondagem que mede a qualidade de vida na Venezuela, 64,3% dos venezuelanos perderam uma média de 11,4 quilos de peso em 2017 e 9 em cada 10 não conseguiam pagar a sua alimentação diária. Cerca de 25% da população, por seu lado, comia apenas duas ou menos vezes ao dia.

O cenário é catastrófico a todos os níveis. Maduro está cercado pela comunidade internacional, mas não só: também pelas redes sociais e por alguns sites de notícias anti-regime, que vulgarmente divulgam notícias falsas com o objetivo de o fragilizar, de o incomodar ou simplesmente ridicularizar. São também elas um barómetro da implosão do regime de Maduro. Fique com as cinco mais visíveis.

  • A RETIRADA DA ESTRELINHA AZUL DO INSTAGRAM

A famosa estrelinha azul que o Instagram confere a figuras públicas com relevância teria sido, de acordo com informações viralizadas nas redes sociais, retirada a Maduro e atribuída ao seu “challenger” Juan Guaidó, no que estaria a ser interpretado como uma prova simbólica do apoio do Facebook (que detém o Instagram) ao auto-proclamado presidente da Venezuela.

maduro
Maduro e Guaidó: apenas um tem a estrelinha azul do Instagram

Porém, o Instagram já negou que tal tenha acontecido. A verdade é que Guaidó já tinha a estrelinha de verificação – e Maduro nunca a possuiu. Num e-mail divulgado publicamente, a conhecida rede de partilha de imagens assegurou: “Queremos assegurar-nos de que as pessoas saibam que estão perante uma figura pública, uma celebridade ou uma marca no Instagram (...) Nicolas Maduro não estava verificado no Instagram e, por isso, não eliminámos a verificação da sua conta. Quanto a Juan Guaidó, foi verificado em novembro de 2018.” Todo o rumor foi desconstruído pelo site de fact-checking Metafact.

  • A RELAÇÃO HOMOSSEXUAL COM LULA DA SILVA

Teria sido em 1984 que os dois líderes se teriam cruzado numa relação gay. A prova de que isso aconteceu? Uma fotoa preto e branco em que os dois líderes surgem ao ar livre, ambos de bigode e sem camisola, de mãos dadas, numa óbvia demonstração de cumplicidade.

lula gay
Maduro e Lula na juventude? Nada disso.

A imagem, que se tornou viral no Brasil aquando das últimas eleições presidenciais, é falsa. Uma primeira versão, em que “Maduro” surge com o mesmo “parceiro”, foi divulgada em 2014 no site “Diário de Tenerife”, tendo sido proibida nas redes sociais na Venezuela. Tinha uma diferença relativamente à mais recentemente partilhada: nessa ocasião, o “namorado” não era identificado como sendo Lula da Silva. Na realidade, não é sequer Maduro que surge na foto, que faz parte de um ensaio fotográfico para uma revista russa, em que se demonstrava como eram os calções usados nos anos 60 e 70. Tudo o resto é manipulação.

  • O ENVIO DE BOMBARDEIROS PARA O BRASIL

Mais uma notícia que ganhou força viral na internet: a de que Maduro, que está politicamente distante do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, teria permitido que bombardeiros russos TU-160 cruzassem o espaço aéreo do Brasil, precipitando uma resposta dos Estados Unidos, que teriam mobilizado a 4ª frota da Marinha para retaliar se fosse caso disso.

O caso teria sido comentado no seu “Diário do Poder” pelo diplomata Miguel Gustavo de Paiva Torres, que terá  escrito que o episódio faz do Brasil um “vira-latas da esquina”, acrescentando ainda que o país se tornara uma “presa fácil para as incursões russas” dado o "desinvestimento na área militar durante os governos de FHC, de Dilma e Lula”.

maduro
Os caças que não chegaram a invadir o espaço aéreo brasileiro

Este foi o boato. Mas a realidade é outra: de facto, os bombardeiros russos TU-160 foram enviados para a Venezuela e efetivamente o diplomata criticou este caso. Porém, em nenhum momento faz referência ao facto de os aviões terem entrado no espaço aéreo brasileiro, deixando bem explícito que a sua indignação se referia à circunstância de considerar que o Brasil devia exigir explicações à Rússia por esta colocar os bombardeiros perto da sua fronteira.

Tal como a história dos bombardeiros, a referência ao envio das tropas americanas por parte da administração Trump é falsa - e mesmo que tivesse acontecido, nunca chegaria em tempo útil para poder expulsar os aviões russos. A 4ª frota da marinha americana esteve, de facto, ao largo do Brasil, mas numa altura diferente: o último registo da presença desta frota data de 18 de Novembro.

  • A FUGA PARA CUBA

No mesmo dia em que Juan Guaidó se autoproclamou presidente da Venezuela, Cuba reagiu oficialmente no Twitter: “O nosso apoio e solidariedade para o Presidente Nicolás Maduro perante as tentativas imperialistas para desacreditar o desestabilizar a Revolução Bolivariana.”

Talvez por causa da proximidade entre os dois regimes, nos dias posteriores à decaração de Guaidó começou a circular na internet a informação segundo a qual Nicolas maduro estaria em fuga para Cuba. Foram distribuídas fotos do avião privado em que teria embarcado e distribuídos vídeos no YouTube a comentar o desenvolvimento. Mas afinal era tudo falso, como se veio a provar.

  • A MULHER QUE MANDOU MATAR

Narra a história que uma suposta opositora de Maduro foi assassinada devido às suas posições contrárias ao regime.

maduro
A "falsa vítima" de Nicolas Maduro

A “prova” do homicídio – um vídeo altamente violento - foi disseminada pelas redes sociais, provocando uma onda de indignação colectiva que só diminuiu quando se descobriu que Rosa del Carmen Castillo – assim se chamava a senhora – foi de facto assassinada, mas na sequência de uma vingança por ter denunciado um assalto a sua casa que havia levado a polícia a matar um dos assaltantes. Em resumo: o vídeo, apesar de ser verdadeiro, nada tem a ver com a ação de Nicolas Maduro.

Notificações

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.