Taxas de cremações e enterros não estão mais altas do que o normal?

Nos últimos meses foram divulgados alguns dados na sequência de pedidos formulados ao abrigo da Lei relativa à liberdade de informação (FOIs), sobretudo acerca de cremações e enterros, em diferentes autoridades locais espalhadas pelo Reino Unido. Os números mostram um suposto equilíbrio entre os valores destas duas variáveis antes e durante a pandemia, levando os internautas a questionar sobre se houve realmente um aumento do número de mortes relacionadas com a Covid-19.

Uma das publicações divulgadas nesse sentido analisa os dados divulgados pelo município de Birmingham, que admitiu ter errado nos números inicialmente fornecidos aos FOIs.

De acordo com estes dados, o número de cremações durante o ano de 2020 teria sido o mais baixo dos últimos seis anos. Ainda assim, depois de corrigidos os valores, verifica-se que houve um total de 8.316 enterros e cremações em 2020, mais do que no ano anterior e o valor mais elevado registado desde 2009 (primeiro ano com dados disponíveis).

A nível nacional, dados recolhidos pela "Cremation Society" mostram que houve um total de 70 mil cremações a mais em 2020 relativamente a 2019. Além disso, houve ainda mais de 115 mil mortes em excesso - além do número normal na época do ano - no Reino Unido desde o início da pandemia.

Avaliação: É falso que as taxas de cremações e o número de enterros se tenha mantido igual ao período pré-pandemia. Em todo o Reino Unido houve uma subida acentuada nos dois valores, segundo dados respetivos a 2020.

Internamentos hospitalares mostram que as vacinas contra a Covid-19 não são eficazes?

A 18 de julho, Sir Patrick Vallance, conselheiro do Governo britânico, avançou numa entrevista que havia 60% de pessoas internadas com o esquema vacinal completo. Ainda assim, os dados foram prontamente corrigidos pelo próprio, através da sua conta oficial de Twitter: Os 60% de hospitalizações correspondem a pessoas que ainda não foram vacinadas.

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Os dados inicialmente divulgados foram propositadamente utilizados como sustentação para uma falha na eficácia da vacina contra a Covid-19, mas estas alegações não correspondem à realidade. Segundo relata o correspondente da BBC Health, Nick Triggle, observando a proporção de pessoas hospitalizadas vacinadas face às não vacinadas, é possível mostrar que "as vacinas têm uma eficácia de cerca de 90% no que respeita a manter as pessoas longe dos hospitais".

Avaliação: Esta alegação é, uma vez mais, enganadora. A verdade é que as vacinas se provaram altamente eficazes em evitar hospitalizações de infetados.

Covid-19 não representa perigo para pessoas não obesas e menores de 65 anos?

Marjorie Taylor Greene, legisladora republicana dos Estados Unidos da América (EUA), publicou a 19 de julho dois "tweets" que levaram à suspensão da sua conta de Twitter durante 12 horas. Porquê? Greene afirrmava, num deles, que a Covid-19 não representava qualquer perigo para pessoas não obesas e para menores de 65 anos. Pouco tempo depois, disse ainda, em comunicado, que não era errado destacar a obesidade como um fator de risco para a Covid-19.

Um relatório divulgado no início deste ano pela World Obesity Federation recolheu dados sobre as 2,5 milhões de mortes por Covid-19, obtidos em mais de 160 países. 2,2 milhões dessas mortes, cerca de 90%, ocorreram em países onde pelo menos 50% da população sofre de excesso de peso.

Ainda assim, e embora o relatório aponte para uma forte ligação entre as mortes por Covid-19 e os países com maiores taxas de obesidade, John Wilding, da World Obesity Federation, citado pela BBC, diz que sugerir que as pessoas que não são obesas não correm risco é uma "falácia completa."

"Sim, a obesidade é um fator importante, mas não é o único fator. Existem muitas pessoas em risco que têm todos outros tipos de doenças e que podem não estar a viver com obesidade."

Também um relatório publicado na The Lancet, revista médico-científica, que analisou as associações entre o Índice de Massa Corporal (IMC) e a gravidade da Covid-19 na Inglaterra, confirmou a associação entre as duas variáveis, relacionando a Covid-19 e a morte - como consequência - em pessoas com obesidade.

Ainda assim, o mesmo relatório demonstra que as admissões hospitalares e as mortes relacionadas com Covid-19 foram maiores entre aqueles que estavam abaixo do peso, em comparação com aqueles que possuem um IMC dentro do intervalo considerado saudável.

Avaliação: Embora alguns estudos revelem que as probabilidades de morrer de Covid-19 são maiores em pessoas obesas e com mais de 65 anos, não é acertado afirmar que o vírus não representa risco para pessoas que não se enquadram nessas categorias.

Há nos EUA dezenas de milhares de mortes relacionadas com a vacina contra a Covid-19 não reportadas?

Na origem dos rumores está o VAERS, um banco de dados do governo dos EUA onde qualquer pessoa pode denunciar efeitos adversos após a toma da vacina. Alguns vídeos divulgados no TikTok reencaminham as pessoas para esse portal, de forma a encontrarem dados relacionados com as mortes supostamente provocadas pela vacina contra a Covid-19.

À BBC, no entanto, os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos confirmaram que a metodologia utilizada para pesquisar os dados, divulgada num dos vídeos publicados na rede social, estava errada.

O número correto de mortes reportadas no universo de pessoas que recebeu a vacina contra a Covid-19, entre 14 de dezembro de 2020 e 19 de julho de 2021, é de 6.207. Importa ainda ressalvar que o VAERS não foi projetado para perceber se uma vacina provocou ou não determinado problema. Em declarações mais antigas, fonte oficial do VAERS afirmou que este banco de dados pode incluir "informações incompletas, imprecisas, coincidentes e não verificadas" e que "não pode ser usado para determinar se uma vacina causou ou contribuiu para um evento adverso ou para uma doença".

Avaliação: Em suma, é arriscado tirar qualquer conclusão acerca de quantas dessas 6.207 mortes podem ter ocorrido única e exclusivamente por consequência da vacina.

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