Bolsonaro foi "expulso" do Exército do Brasil por "insanidade mental"

"Minha nossa, é o fim dos tempos mesmo. Os três poderes do Brasil não têm pulso firme mesmo contra esse monstro. Jair Bolsonaro sabe porque todos são comprados e têm medo do psicopata expulso por insanidade mental do Exército e aposentado aos 30 anos de idade", destaca-se num tweet que está a ser partilhado viralmente nas redes sociais, com epicentro no Brasil.

No Facebook, entretanto, difunde-se outra versão, em forma de três perguntas retóricas: "Porque é que Bolsonaro se aposentou do Exército com atestado de insanidade mental, aos 33 anos, e agora pode assumir a Presidência do Brasil? Ele ficou curado? Ou o atestado era falso?"

Estas alegações circulam nas redes sociais desde meados de 2018, quando Jair Bolsonaro se candidatou pela primeira vez à Presidência do Brasil, mas são comprovadamente falsas.

Segundo apurou a AFP Checamos, plataforma brasileira de verificação de factos, "Bolsonaro entrou nas forças militares em 1973. Em 1986, o então capitão do Exército foi preso durante 15 dias por ter publicado um artigo na revista 'Veja', no qual reclamava dos baixos salários da instituição. Em 28 de outubro de 1987 a mesma revista publicou uma reportagem segundo a qual o atual presidente seria um dos suspeitos de ter planeado um ataque com bombas não concretizado para forçar um aumento de 60% na remuneração dos soldados".

"O caso fez com que Bolsonaro fosse julgado por uma comissão do Exército que determinou a sua expulsão da instituição. Porém, o Supremo Tribunal Militar considerou as provas juntas ao processo insuficientes e arquivou o caso, decidindo pelo não afastamento do então capitão", informa-se no mesmo artigo.

"Não há qualquer registo histórico ou documental de que o caso tenha levado a um 'laudo de insanidade mental', como citado nas redes. Na verdade, o presidente deixou o Exército em 1988, então com 33 anos, quando foi eleito vereador pela cidade do Rio de Janeiro", sublinha-se.

De resto, a AFP Checamos questionou fonte oficial do Exército do Brasil sobre esta matéria, tendo obtido a garantia de que Bolsonaro "foi transferido para a reserva remunerada ex officio, a contar de 22 de dezembro de 1988, conforme prescrevia o inciso II do artigo 96 e inciso XVI do artigo 98 da Lei 6.880, de 8 de dezembro de 1980".

A legislação em causa determina a passagem do militar à reserva remunerada nas situações em que é "diplomado em cargo eletivo".

Segundo fonte oficial do Exército, Bolsonaro atualmente "encontra-se na condição de militar reformado por ter atingido a idade-limite prevista na legislação supramencionada. (…) Não há qualquer veracidade nas informações" em causa veiculadas nas redes sociais.

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CNN noticiou que Bolsonaro evitou "a 3.ª Guerra Mundial" ao convencer Putin a recuar

"Putin sinaliza recuo na Ucrânia, presidente Bolsonaro evita a 3.ª Guerra Mundial". É esta a mensagem presente numa imagem amplamente partilhada em que se garante que a CNN noticiou que o chefe de Estado do Brasil teria convencido o presidente da Rússia a não invadir a Ucrânia.

Um dos utilizadores das redes sociais que partilhou esta imagem foi o ex-ministro do Meio Ambiente do Brasil, Ricardo Salles, que conta com quase 650 mil seguidores no Twitter e cerca de 600 mil no Instagram, espaços que utiliza com frequência para passar mensagens pró-Bolsonaro.

A informação é verdadeira?

Não. E já obrigou a CNN Brasil a emitir um desmentido na manhã de 15 de fevereiro, sublinhando tratar-se de "uma postagem fake", mas a imagem continua a circular nas redes sociais.

"O ex-ministro Ricardo Salles publicou hoje (dia 15) uma montagem que atribui à CNN a informação de que o presidente Jair Bolsonaro evitou 'a 3.ª Guerra Mundial'. Na postagem fake, a frase mentirosa entra como suposta causa do recuo do presidente da Rússia, Vladimir Putin, para invasão da Ucrânia", esclareceu a CNN Brasil.

De facto, Jair Bolsonaro visitou a Rússia e encontrou-se com Vladimir Putin, mas não há nenhum indício de que tenha convencido o chefe de Estado russo a cancelar uma eventual invasão militar da Ucrânia. O presidente do Brasil elogiou o homólogo russo, mas não fez qualquer declaração pública sobre o encontro.

A reunião dos dois líderes deu azo a várias fake news. Uma delas - já escrutinada pela equipa do Polígrafo - consistia num vídeo com legendas falsas, nas quais se podia ler que a Rússia teria retirado tropas militares da fronteira com a Ucrânia por conselho de Jair Bolsonaro. O vídeo era autêntico, mas as legendas tinham sido manipuladas para espalhar desinformação.

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Revista "Veja" publicou capa em que nega hipótese de reeleição de Bolsonaro

A chance de reeleição é zero.” É esta a frase inscrita numa suposta capa da revista 'Veja' que tem como fundo uma fotografia do atual Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. A imagem foi partilhada no final de março nas redes sociais como se se tratasse de um conteúdo autêntico e atual.

Recorde-se que as eleições gerais no Brasil estão marcadas para 2 de outubro de 2022. É nesse dia que os brasileiros vão às urnas para eleger Presidente da República, governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais. Até lá, são muitas as informações falsas que circulam nas redes sociais sobre os principais candidatos.

E este caso não é exceção, já que a revista "Veja" não publicou nenhum artigo a descartar a reeleição de Bolsonaro e a capa em circulação nas redes sociais é uma montagem. O autor da imagem falsa manipulou uma outra capa da mesma revista, publicada em setembro de 2021, com o título “A chance de um golpe é zero”, e alterou a frase.

Além disso, o artigo original diz respeito a uma entrevista a Bolsonaro, que recebeu a revista, em 2021, no Palácio da Alvorada, quando estava prestes a completar mil dias de governação.

Nessa entrevista, Bolsonaro foi questionado sobre o facto de “várias das suas ações e falas” serem encaradas como uma preparação para um golpe de Estado. O presidente do Brasil foi perentório e respondeu sucintamente: “Daqui pra lá, a chance de um golpe é zero. De lá pra cá, a gente vê que sempre existe…”

Em suma, em nenhum momento da entrevista o jornalista descarta a hipótese de reeleição de Jair Bolsonaro e a capa em circulação nas redes sociais é uma imagem manipulada.

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Nova sondagem coloca Bolsonaro na liderança com 44% dos votos

O período oficial de campanha para a eleição presidencial do Brasil arrancou no dia 16 de agosto e a guerra de desinformação nas redes sociais parece ter-se intensificado, desde logo com uma sondagem falsa (ou adulterada) que foi difundida através de um vídeo deepfake.

Um primeiro alerta surgiu no portal UOL, pela colunista Cristina Tardáguila, logo no dia 18 de agosto, mas o vídeo foi visto e partilhado por milhares de pessoas em diversas redes sociais - WhatsApp, Twitter, Facebook, TikTok, YouTube, etc. - e ainda continua disponível em algumas páginas.

Trata-se de uma montagem com a voz da jornalista brasileira Renata Vasconcellos a apresentar os resultados de uma sondagem que coloca Jair Bolsonaro, atual Presidente do Brasil e recandidato ao cargo, na liderança com 44% das intenções de voto, seguindo-se Lula da Silva com apenas 32%.

As imagens foram replicadas a partir da emissão do "Jornal Nacional" da TV Globo no dia 15 de agosto. Mais especificamente a apresentação de uma sondagem de intenções de voto na eleição presidencial (agendada para 2 de outubro) do Brasil, realizada pelo instituto Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec) a pedido da TV Globo.

No vídeo original (pode consultar aqui) verifica-se que, na realidade, é Lula da Silva quem lidera as intenções de voto, com 44%, ao passo que Bolsonaro não vai além de 32%. Ou seja, os resultados foram invertidos no vídeo deepfake em que se reordena e adultera as frases proferidas pela jornalista.

"Procurada na tarde de ontem [dia 17 de agosto] para comentar o episódio, a TV Globo confirmou que o vídeo de Renata não é original e informou que o Ipec, instituto que faz pesquisas eleitorais e é citado na deepfake, está denunciando o material no Sistema de Alerta de Desinformação Contra as Eleições do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Ministério Público Eleitoral (MPE). Até o fechamento desta coluna, a empresa não havia esclarecido se tem ou não um sistema de monitoramento de materiais deste tipo", escreveu Tardáguila.

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