O acordo alcançado e anunciado pela Primeira-Ministra Theresa May para o Brexit tem gerado muita controvérsia, tendo inclusivamente levado à demissão de vários membros do seu Governo, incluindo o responsável pela negociação da saída do Reino Unido da União Europeia, Dominic Raab. A sociedade inglesa está profundamente dividida sobre um tema que nunca foi pacífico no Reino Unido.

A desconfiança dos britânicos relativamente à União Europeia (UE) tem sido largamente potenciado pela imprensa inglesa – sobretudo a tabloide -, que ao longo dos anos veiculou centenas de fake news sobre a Europa. Algumas são verdadeiramente surreais.

Aqui ficam as 12 das mais escandalosas.

  • Notas de Euro provocam impotência

A mentira: publicada pelo tabloide The Sun a 2 de março de 2002, a história garantia que uma nota de 10 euros fora testada num laboratório alemão a pedido da revista "Ökotest" e surgiu depois de um condutor de autocarros alemão afirmar que uma nota de 10 euros lhe tinha causado impotência.

O facto: Antes do lançamento das notas em euros, o Banco Central Europeu (BCE) fez todos os testes  todas as sete denominações contra de acordo com as mais rigorosoas regras de saúde e segurança, tendo concluído que não causam quaisquer problemas de saúde em condições normais de utilização.

  • UE acaba com varão dos quartéis de bombeiros

A mentira: de acordo com uma notícia do Daily Mail de 16 de junho de 2002, a União Europeia queria proibir nos quartéis a utilização dos varões por parte dos bombeiros devido às novas diretivas europeias de segurança.

O facto: as normas que eram citadas no artigo do Daily Mail não existem e nas diretrizes da UE, que estavam em vigor à data da publicação do artigo, não existia nenhuma referência aos varões de bombeiros.

  • Corgis serão banidos pela UE

A mentira: Segundo o Daily Mail do dia 30 de abril de 2002, os corgis, a raça canina favorita da rainha de Inglaterra, poderiam vir a ser banidas, ao abrigo da chamada “Convenção da UE”.

O facto: a "Convenção da UE" nada tem a ver com a UE, sendo um organismo sem qualquer poder deliberativo, constituído por um comité de especialistas em proteção animal. A Convenção Europeia para a Proteção de Animais de Estimação em 1987, criada pelo comité sob os auspícios do Conselho da Europa, não obriga nenhum Estado a segui-la – a adesão é totalmente voluntária e o Reino Unido nunca tomou essa iniciativa.

  • UE prepara-se para banir as fotos do London Eye

A mentira: a famosa atração que se tornou um ícone da capital inglesa é uma das mais fotografadas da cidade. Em 24 de Junho de 2015 o Daily Express noticiou que em 2015 que a UE se preparava para banir as fotos de vários monumentos, entre os quais o London Eye, tornando ilegal a sua publicação nas redes sociais.

O facto: esta medida nunca esteve em cima da mesa. E, caso estivesse, teria de ser aprovada por larga maioria dos Deputados Europeus e ainda de ser aceite pelos Estados-Membros.

brexit
  • UE quer acabar com os autocarros de dois andares

A mentira: segundo o Daily Telegraph de 9 de abril de 1998, a União Europeia queria uniformizar os autocarros, acabando assim com os famosos autocarros de dois andares que existem no Reino Unido, tornando-os iguais aos autocarros europeus. Esta mudança surgia para criar mais espaço em pé para os passageiros e obrigar à utilização de cintos de segurança.

O facto: a notícia não tinha qualquer veracidade. Qualquer mudança que se pretendesse implementar a este nível teria de ser aprovada pelo Parlamento Europeu.

  • Kilts passam a ser classificados como roupa de senhora por norma da UE

A mentira: a manchete do Daily Record de 10 de Novembro de 2003 contava que doi enviado um formulário para os fabricantes de kilts – o conhecido traje escocês -  onde era pedido que estes fossem classificados como roupa de senhora. Segundo a notícia, o Eurostat tinha sido o criador deste formulário

O facto: na verdade este formulário não foi enviado pela agência de estatística europeia, mas sim pelo organismo de estatística britânico.

  • UE quer padronizar as dimensões dos preservativos

A Mentira: o The Independent on Sunday noticiou, a 12 de Março de 2000, que a UE tencionava padronizar as dimensões dos preservativos.

O facto: realmente houve uma intenção de padronizar, só que não foi a União Europeia que tomou essa iniciativa. Foi sim, a Agência Europeia de Normalização, um organismo de adesão voluntária, constituído por agências nacionais de normalização,que não está sequer ligada à União Europeia.

  • União Europeia quer acabar com exames britânicos

A mentira: segundo o Sunday Express de 23 de janeiro, a presidência portuguesa da UE desejava que os diplomas e graus de ensino britânicos se extinguissem, de modo a harmonizar todos os graus de ensino na UE.

O facto: para que isso acontecesse teria de se rever toda a legislação europeia sobre a matéria, uma vez que de acordo com a que estava em vigor toda a organização e conteúdos educativos eram da responsabilidade de cada Estado-Membro.

  • UE planeia acabar com as bebedeiras

A mentira: em 2005, tanto o The Sun como o Daily Star noticiavam a intenção da União Europeia de acabar com o excessivo consumo de bebidas alcoólicas. Mais concretamente, referiam a vontade da UE de controlar as licenças de venda específica deste tipo de bebidas.

O facto: a notícia era falsa. A UE não planeava mexer em nenhuma destas leis, até porque é uma matéria de competência exclusiva dos governos de cada país. O que a União Europeia estava a estudar era a possibilidade de implementar medidas que reduzissem os danos do excessivo consumo de álcool, com especial foco nos jovens.

  • Reino Unido pode deixar de ser uma ilha aos olhos da União Europeia

A mentira: de acordo com uma notícia do The Guardian de 21 de Janeiro de 2003, a UE tencionava mudar a definição tradicional de ilha (um pedaço de terra rodeado por água), o que poderia levar a que algumas ilhas que pertencem ao Reino Unido poderiam deixar de ser ilhas aos olhos do organismo europeu. Segundo o plano da UE, uma ilha não poderia ser classificada enquanto tal se tivesse menos de 50 habitantes permanentes, se fosse ligada ao continente por uma estrutura rígida ou se estivesse a menos de 1 km do continente.

O facto: a notícia não era verdadeira. O significado tradicional de ilha iria manter-se. O que a UE fez foi encomendar um estudo para saber quais as principais dificuldades pelas quais passavam as comunidades pertencentes a uma ilha. E, tendo em conta o vasto número de ilhas que os Estados-Membro possuem, não era possível estudar todas, tendo sido feito este estudo com base numa amostra representativa. A notícia dava a entender que as ilhas que não fossem alvo do estudo deixavam de ser ilhas, algo que não era verdade.

brexit
  • União Europeia quer impor limites no número de cafés bebidos

A mentira: o Daily Express referia, em 29 de maio de 2015, que “Bruxelas quer restringir os hábitos de beber café dos britânicos”. O jornal citava um alegado relatório da “poderosa”Autoridade Europeia de Segurança Alimentar, segundo o qual um adulto não deve consumir mais de 400mg diários.

O facto: O que a UE pretendia era regular os produtos e os seus efeitos, para poderem circular no mercado único. Ou seja, para um determinado produto alimentar poder afirmar os seus benefícios para a saúde, tinham de ser sujeitos a testes e ser aprovados pela Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar. E, no que diz respeito aos cafés, foi pedido a esta entidade para analisar a segurança dos vários níveis de ingestão de café, mas nunca esteve em cima da mesa a emissãoo de uma diretiva europeia dirigida ao Reino Unido.

  • Domínio das páginas britânicas vai deixar de ser .uk para ser .eu

A mentira: Na sua edição e 3 de fevereiro de 2000, o Daily Mail afirmava que, por imposição da UE, os britânicos deixariam de ter um domínio próprio na internet

O facto: O que a UE pretendia era possibilitar a algumas empresas e/ou instituições que o desejassem, a mudança de domínio para .eu. Nada mais do que isso.

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