1. Joe Biden "ofereceu" aos talibãs um arsenal no valor de 80 mil milhões de dólares

A informação de que os Estados Unidos ofereceram armas aos talibãs surgiu depois de alguns militares do grupo islâmico utilizarem aviões, helicópteros, veículos e outros equipamentos dos Estados Unidos. Pouco tempo depois, várias publicações nas redes sociais fizeram as contas ao material e garantiram que a administração Biden ofereceu armas aos talibãs no valor de "mais de 80 mil milhões de dólares" (cerca de 68 mil milhões de euros).

Ora, a estimativa apresentada é falsa. De facto, os EUA gastaram quase 89 mil milhões de dólares (75 mil milhões de euros) no Afeganistão ao longo de duas décadas, mas apenas uma pequena parte desse valor foi utilizada em material militar.

Ao "Politifact", o especialista em Defesa John Pike garante que o equipamento militar e aéreo que foi deixado para trás e usado pelos taliban vale menos do que 10 milhões de dólares, cerca de 8,5 milhões de euros.

Além disso, muitas dessas armas, mesmo que norte-americanas, estavam nas mãos das forças afegãs que, ao serem afastadas do poder, as perderam para o grupo radical que governa agora o país.

2. Joe Biden faltou à cerimónia onde foram recebidos os 13 militares norte-americanos mortos no atentado junto ao aeroporto de Cabul

A alegação foi feita por vários conservadores, nomeadamente republicanos, que lançaram o boato, mesmo antes de o avião com os corpos dos militares ter chegado a solo norte-americano.

Em bom rigor, a cerimónia onde foram recebidos os militares aconteceu no dia 29 de agosto, três dias depois do ataque. Como seria expectável, Joe Biden esteve presente com a mulher Jill Biden, ao lado das famílias dos militares que morreram ao serviço do país no ataque ao aeroporto.

3. Os militares norte-americanos deixaram cães no Afeganistão

Uma fotografia viral com cães dentro de transportadoras, num local destruído e em frente a um helicóptero norte-americano vazio, geraram indignação junto de civis e militares. Vários republicanos garantiram que tratavam-se de cães militares abandonados no aeroporto de Cabul, durante a retirada.

No entanto, a informação é falsa. O Pentágono garantiu que os cães fotografados não faziam parte do exército norte-americano e revelou que os cães militares foram todos retirados do país a meio do mês de agosto.

Em bom rigor, os animais pertenciam a uma associação animal de Cabul e a empresas de segurança privadas e independentes.

4. Vídeo mostra talibã a matar uma pessoa e a mandá-la de um helicóptero

Vários conservadores, entre bloggers e políticos, também partilharam um vídeo onde se vê um helicóptero a voar, com uma pessoa pendurada por uma corda. "Este vídeo aterrador resume a desgraça causada por Joe Biden no Afeganistão: os taliban penduraram um homem num helicóptero norte-americano", garantiu o senador do Texas Ted Cruz no Twitter.

Mais uma vez, a explicação é falsa. Várias imagens e outros vídeos analisados pelo "Politifact" mostram que a pessoa que está pendurada no helicóptero estava viva, presa por um arnês, e não por uma corda em torno do pescoço.

Várias plataformas de verificação de factos chegaram à mesma conclusão, dando como certo que o vídeo não ilustra uma execução, mas o momento em que um homem estava a tentar hastear uma bandeira num edifício público na segunda maior cidade do Afeganistão.

Mais tarde, o senador Ted Cruz apagou o tweet onde fazia a denúncia falsa, mas o apresentar da Fox News Sean Hannity continuou a garantir que o vídeo mostrava uma execução levada a cabo pelos taliban.

5. Aeroporto de Cabul foi invadido por milhares de afegãos?

Na sequência da tomada do poder no Afeganistão pelos taliban, propagou-se nas redes sociais um vídeo que alegadamente mostra milhares de afegãos a entrarem em massa no aeroporto de Cabul com o objetivo de fugir de um ataque ou atentado.

Na verdade, o vídeo não foi captado no Afeganistão, mas sim no AT&T Stadium, em Arlington, no Texas em 2019. A entrada repentina deveu-se ao entusiasmo dos adeptos pela partida que iria ser disputada entre as equipas "Dallas Cowboys" e "Seattle Seahawaks" da "National Football League" (NFL), principal liga de futebol americano dos Estados Unidos.

O vídeo foi gravado e publicado no Twitter pelo jornalista norte-americano Jon Machota, que fez a cobertura do jogo. As imagens foram reproduzidas pelo jornal "USA Today" e pela página oficial do Twitter da revista "Sports Illustrated". Imagens semelhantes também foram registadas em 2017 e em 2018 antes de jogos dos "Dallas Cowboys".

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