O ajuste dos horários laborais tem sido tema de diversos estudos sobre a produtividade dos trabalhadores. Em novembro de 2019, e durante um mês, a Microsoft do Japão tinha introduzido um fim de semana com duração de três dias para todos os seus funcionários. O resultado foi um aumento da produtividade em quase 40%.

Na semana passada foram várias as notícias que se propagaram sobre a futura implementação de um modelo semelhante na Finlândia. Os funcionários teriam supostamente direito a três dias de descanso por semana e seis horas de trabalho diárias. A ideia, supostamente com origem na nova primeira-ministra Sanna Marin, daria aos trabalhadores a possibilidade de passarem mais tempo com as suas famílias.

A informação, para além de ter sido difundida por orgãos de comunicação nacionais e internacionais, à escala global, espalhou-se também nas redes sociais à velocidade da luz. O problema é que não é verdadeira.

A ideia surgiu durante um evento em agosto de 2019 que contou com a participação do Partido Social Democrata finlandês. Na altura, Marin, exercendo então o cargo de ministra dos Transportes, sublinhou que a produtividade da Finlândia poderia beneficiar com quatro dias de trabalho ou seis horas diárias. Em nenhuma altura mencionou as duas coisas simultaneamente.

"Penso que as pessoas merecem passar mais tempo com as suas famílias, os seus entes queridos, os seus passatempos e outros aspetos das suas vidas, como a cultura. Isto podia ser o próximo passo para nós em termos de vida profissional", afirmou Marin.

No dia 4 de janeiro de 2020, as declarações da governante foram recuperadas e publicadas como se fossem atuais. Ao que tudo indica foi na página do Twitter de Marin que as informações, datadas de 19 de agosto de 2019, foram "desenterradas".

De acordo com o jornal finlandês NewsNowFinland, a proposta não consta sequer do programa de Governo, segundo fontes do novo Executivo. No fundo, não passou de uma ideia que Sanna Marin "deixou no ar" durante um evento, quando ainda era ministra dos Transportes. Não quer dizer que não vá no futuro ser proposta, mas, para já, não está a ser considerada. 

Atualmente, o padrão na Europa são oito horas de trabalho diário para cinco dias de semana. Há exceções e têm sido testados novos modelos mas, por enquanto, semanas com quatro dias de trabalho ainda não são uma realidade.

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