Em tweet publicado no dia 9 de março, o presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, comparou os efeitos do novo coronavírus com os da gripe sazonal, como que relativizando a perigosidade e mortalidade do SARS-Cov-2 e respetiva doença associada. "Portanto, no ano passado morreram 37 mil americanos de gripe comum. Dá uma média entre 27 mil e 70 mil por ano", indicou, sublinhando que naquela altura havia apenas 546 casos confirmados de Covid-19 nos EUA, com 22 mortes registadas.

Tweet Trump

Alguns dias mais tarde, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, apontou no mesmo sentido. "No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho, como bem disse aquele conhecido médico daquela conhecida televisão", afirmou Bolsonaro.

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Além das afirmações de Trump e Bolsonaro, mais recentemente multiplicaram-se nas redes sociais publicações em que se questiona a utilização de equipamento de proteção pessoal no âmbito da pandemia de Covid-19, nomeadamente as máscaras, na medida em que não se faz o mesmo durante a época de maior propagação da influenza.

Numa dessas publicações questiona-se: "A Covid-19 tem uma taxa de mortalidade mais baixa do que a gripe. No entanto, não tornamos obrigatório o uso de máscaras para combater a gripe. Porque estamos a fazê-lo para a Covid-19?"

O que dizem os números?

Com o evoluir da pandemia, a comunidade científica começou a poder analisar e comparar os dados relativos às duas doenças e já há conclusões sobre a força dos efeitos provocados pela Covid-19. Mais especificamente nos EUA, de acordo com um recente artigo da Snopes, plataforma norte-americana de verificação de factos.

Salientando que o êxito do combate à doença está diretamente relacionado com as infra-estruturas médicas existentes em cada país, a Johns Hopkins University of Medicine indica que a taxa de letalidade do novo coronavírus nos EUA é de 3,4%. Ao passo que a taxa de letalidade da gripe sazonal é de apenas 0,1%.

As estimativas do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA também indicam que o SARS-CoV-2 mata mais do que o vírus influenza. Na temporada da gripe sazonal de 2018-19, morreram 34.157 pessoas nos EUA devido a essa doença. Em comparação, desde o início da pandemia de Covid-19, já morreram mais de 156 mil pessoas (dados de quinta-feira, dia 5 de agosto, pelas 21h30) infetadas com o novo coronavírus nos EUA. Um valor mais de quatro vezes superior.

Observando-se os dados dos últimos anos, constata-se que a temporada de gripe de 2017-2018 foi a que teve um maior número de mortos: 61 mil. Mesmo assim, é menos de metade do número de norte-americanos que já morreram devido à Covid-19.

Durante a pandemia de gripe A em 2009, por exemplo, foram infetadas 61 milhões de pessoas e houve 12.500 mortes nos EUA, de acordo com os dados da Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA. Números também inferiores aos da pandemia em curso.

Em artigo publicado na revista Science Advances, a 29 de julho, o pneumologista Benjamin D. Singer realça que "a gripe e outras etiologias da pneumonia representam a oitava principal causa de morte nos EUA. Podemos esperar que a nova realidade da Covid-19 complique ainda mais a próxima temporada de influenza".

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