O primeiro jornal português
de Fact-Checking

O nosso método

Diariamente a equipa do POLÍGRAFO acompanha um conjunto alargado de personalidades cujas intervenções têm relevância pública. Falamos de políticos, de comentadores, de “influenciadores”, de artistas e até de agentes do meio desportivo.

Além das informações que a nossa equipa de jornalistas selecciona directamente a partir de várias fontes (posts em redes sociais, telejornais, intervenções públicas, etc.), o Polígrafo também está aberto a sugestões dos leitores, que habitualmente nos enviam pedidos de fact-checks através dos vários canais que temos disponíveis para o efeito. Também desenvolvemos fact-checks no âmbito de projetos de colaboração com fundações ou empresas tecnológicas como o Facebook, com quem mantemos parcerias editoriais caracterizadas por um princípio fundamental: a escolha dos conteúdos a verificar é sempre da total responsabilidade da equipa redactorial do Polígrafo.

O critério é sempre o que resulta do cruzamento da projeção das suas palavras e do interesse público que elas representam.

O POLÍGRAFO não avalia jornais ou jornalistas – analisa os protagonistas das notícias, o que é bem diferente.

A partir do momento em que o POLÍGRAFO, com base nestes pressupostos, decide abordar jornalisticamente um tema, há cinco passos que devem ser cumpridos:

  • Consultar a fonte original da informação
  • Consultar fontes de natureza documental que possam solidificar o processo de checagem
  • Ouvir os autores da afirmação, dando-lhes o direito de a explicar
  • Contextualizar a informação
  • Avaliar a informação de acordo com uma escala de avaliação. Antes da publicação do texto final, este tem sempre pelo menos uma ronda de edição e, dependendo do seu grau de complexidade, pode ter várias. A avaliação final é sempre objecto de discussão entre o jornalista directamente responsável pela realização do fact-check e o seu editor.

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A NOSSA ESCALA DE AVALIAÇÃO

As melhores práticas do fact-checking mundial vão no sentido de, uma vez realizado um fact-check, classificar o seu grau de veracidade em função de uma escala. É o que fazem jornais de referência como os norte-americanos Politifact e Washington Post, o argentino Chequeado, o espanhol Maltida.es ou o brasileiro Agência Lupa. Como a realidade não é branca ou negra, a escala adotada pelo POLÍGRAFO tem sete níveis:

  1. Verdadeiro: Quando a declaração analisada é totalmente verdadeira.
  2. Verdadeiro, mas…: Quando a declaração analisada é estruturalmente verdadeira, mas carece de enquadramento e contextualização para que seja totalmente percebida.
  3. Impreciso: Quando a informação contém elementos que distorcem, ainda que de forma ligeira, a realidade.
  4. Descontextualizado: Quando a informação é retirada do seu contexto real com o objetivo de lhe dar um sentido sem sustentação factual.
  5. Manipulado: Quando a informação – sobretudo em formato de imagem – é trabalhada, por exemplo, através do recurso a ferramentas de edição de imagem, com a finalidade de a distorcer.
  6. Falso: Quando a afirmação é comprovadamente errada.
  7. Pimenta na Língua: É o grau máximo de falsidade. Esta classificação só é atribuída quando a informação avaliada é escandalosamente falsa ou é uma sátira, publicada num espaço satírico.

Embora quase 100% dos conteúdos do Polígrafo sejam originais, há casos muito excepcionais em que optamos fundamentalmente por adaptar o trabalho de excelência que é feito pelos nossos colegas internacionais – nomeadamente pelos que fazem parte das redes a que pertencemos, como a International Fact-Checking Network ou a European Fact-Checking Standards Network.

Assim como consideramos que dificilmente um jornal estrangeiro teria muitas dificuldades em escrutinar a realidade portuguesa com a agilidade e a qualidade com que reconhecidamente o fazemos no Polígrafo, acreditamos que o contrário também é verdadeiro. Daí a nossa opção, sempre suportada por uma regra fundamental: citar escrupulosamente o promotor original da informação.

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A NOSSA POLÍTICA DE TRANSPARÊNCIA

Tal como acontece com as organizações de referência do fact-checking mundial, o POLÍGRAFO subscreve integralmente o Código de Princípios da International Fact-Checking Network:

1 – Compromisso com o não-partidarismo e com a justiça

Os signatários analisam as declarações utilizando o mesmo padrão para todos os fact checks. Não concentram a sua prática de verificação dos factos num ou noutro lado. Seguem o mesmo processo para cada fact-check e deixam as evidências ditar as suas conclusões. Não tomam partido relativamente aos assuntos que verificam.

2 – Compromisso com a transparência das fontes

Os signatários pretendem que os seus leitores possam verificar as conclusões por si próprios. Fornecem informação sobre todas as fontes com detalhe suficiente para que os leitores possam replicar o trabalho, exceto em casos em que a segurança pessoal de uma fonte possa ficar comprometida. Nesses casos, fornecem o maior número de detalhes possível.

3 – Compromisso com a transparência do financiamento

Os signatários são transparentes em relação às fontes de financiamento. Se aceitam financiamento de outras organizações, garantem que os financiadores não têm qualquer influência nas conclusões a que chegam nos seus artigos. Detalham o perfil profissional de todas as figuras chave da sua organização, e explicam a sua estrutura organizacional e estatuto legal. Indicam claramente aos leitores uma forma de comunicarem com a organização.

4 – Compromisso com a transparência da metodologia

Os signatários explicam a metodologia que usam para selecionar, investigar, escrever, editar, publicar e corrigir os fact-checks. Estimulam os leitores a enviar declarações para verificar e são transparentes sobre porque e como investigam.

5 – Compromisso com correções abertas e honestas

Os signatários publicam a sua política de correções, que seguem escrupulosamente. Corrigem de forma clara e transparente, em linha com a sua política de correções, procurando ao máximo assegurar que os leitores veem a versão corrigida.

Considera que algum destes preceitos não foi cumprido com rigor? Pode remeter as suas dúvidas para este endereço. Também pode – e deve – notificar-nos diretamente por aqui.

 


– O Polígrafo é membro verificado da  European Fact-Checking Standards Network (EFCSN), a maior organização de verificadores de factos do continente europeu. Para que isso tenha acontecido, fomos auditados por um perito independente cuja missão foi avaliar se cumprimos o Código Europeu de Standards Para Organizações de Verificadores Independentes.

Caso considere que não cumprimos algum dos pressupostos do Código, pode reportá-lo através deste link.

– Entre as nossas prioridades está a salvaguarda da privacidade das pessoas, sobretudo quando há a possibilidade de estas sofrerem qualquer tipo de consequências por parte de terceiros, decorrentes do nosso trabalho. Por esse motivo, sempre que se justifique eliminamos a sua identidade. Do mesmo modo, também temos como norma a eliminação da identidade dos produtores originais de desinformação, nomeadamente nas redes sociais.

– Fazêmo-lo por dois motivos: 1) Para evitar que essas pessoas, que frequentemente divulgam desinformação por distração ou ignorância, sejam potenciais alvos de represálias físicas ou quaisquer outras; 2) Para que os que leiam as nossas verificações de factos não tenham acesso direto ao espaço de um potencial promotor de desinformação. Por estes motivos, quando publicamos um screenshot de um post no Facebook ou de um tweet, a autoria do mesmo surge anonimizada. Sempre que se trate de um notório e insistente produtor de desinformação, é dada nota dessa informação no texto de verificação de factos.

– Este critério não se aplica às figuras públicas, sejam elas políticos, artistas, comentadores ou desportistas. Consideramos que este tipo de personalidades – especialmente os políticos – têm especiais responsabilidades perante a população e que só um escrutínio aberto e totalmente transparente pode contribuir para que elas subam os patamares de exigência no que respeita às suas intervenções no espaço público.

– O nosso método passa por contactar sempre o visado num fact-check. Esta opção adquire especial relevância quando se trata de titulares de cargos políticos, de empresas ou instituições, sejam elas públicas ou privadas. Há exceções a esta regra, como quando se trata de uma falsidade repetida pela mesma figura ou instituição e que já tenha sido verificada anteriormente pelo Polígrafo. A regra passa sempre por publicar a defesa do visado, a quem é sempre dado o tempo considerado razoável para responder, se for essa a sua intenção. Quando a resposta só é dada depois desse período, o artigo é atualizado com a referência do dia e hora de atualização. Se essa atualização exigir uma mudança de avaliação, ela é feita, com a menção expressa do dia e da hora a que foi feita.

– Ainda no que respeita à nossa política de privacidade, consideramos que os menores devem ser protegidos, não sendo expostos em imagens, nem identificados ou entrevistados sem o consentimento escrito dos seus pais ou dos responsáveis legais pela sua proteção. A exceção a esta regra surge quando se dá o caso de o menor ser uma figura pública.

– Também não publicamos qualquer tipo de informação privada como documentos de identificação (por exemplo, fac-similes de cartões de cidadão), números de telefone, moradas pessoais ou outros dados que poderão facilitar comportamentos de potencial assédio e/ou ameaças à integridade física e emocional.

– O Polígrafo não faz acordos de natureza comercial ou qualquer outra com partidos políticos. Consideramos que, sendo um dos nossos principais focos o escrutínio dos titulares de cargos políticos, qualquer espécie de envolvimento com os partidos que representam significaria necessariamente um conflito de interesses.

– Os membros da estrutura societária da empresa que detém o Polígrafo só devem ser protagonistas de notícias produzidas pela organização quando tal se justifique por critérios editoriais. Nesses casos, deverá ser referido de forma muito clara o seu papel na organização.

– Sempre que um membro da estrutura do Polígrafo tiver alguma ligação familiar com um protagonista visado pelo nosso trabalho, essa informação será fornecida ao leitor.

– Quando citamos um protagonista/perito no âmbito de um fact-check de natureza político-partidária asseguramo-nos de clarificar que ele já teve funções político-partidárias no passado, se for o caso.

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O NOSSO CÓDIGO DE CONDUTA

Todos os funcionários do Polígrafo assinam o Código de Conduta da organização, composto por oito pontos:

1 – Desempenhar as tarefas que lhes são atribuídas com o máximo empenho e em respeito ao caráter independente que está na base da credibilidade do Polígrafo.

2 – Não tomar em qualquer fórum, nomeadamente nas redes sociais em que estão presentes, posições políticas em nome do Polígrafo ou que o possam implicar. Deve ficar bem claro que todas as posições políticas que o colaborador tome só o implicam a si como indivíduo e nunca à organização.  Esta norma aplica-se com especial enfoque aos membros da organização que desempenham tarefas jornalísticas, que devem ter o cuidado de não divulgar conteúdos que, aos olhos dos leitores, possam criar dúvidas sobre a sua isenção relativamente aos protagonistas que diariamente analisam no âmbito das suas funções.

3 – Respeitar integralmente os mais elevados princípios do rigor, da isenção, da imparcialidade, da confidencialidade, da transparência e da ética profissional e deontológica que são exigidos a uma organização que tem responsabilidades públicas decorrentes da sua natureza.

4 – Basear o seu trabalho no respeito pelos direitos fundamentais e liberdades públicas, evitando qualquer ação que possa levar à discriminação com base no nascimento, origem racial ou étnica, género, sexo, orientação sexual, religião, crenças políticas, deficiência, idade ou qualquer outra condição ou circunstância pessoal ou social.

5 – Abster-se de trabalhar temas em que tenham um interesse pessoal ou que possam configurar um conflito de interesses.

6 – Assegurar que não têm qualquer tipo de dependência política ou financeira relativamente a um partido político, ao Governo, ao aparelho do Estado ou a qualquer empresa sob tutela de um partido político ou do Governo.

7- Não aceitar qualquer tratamento privilegiado decorrente da sua atividade. Os membros do Polígrafo devem recusar qualquer oferta, favor ou serviço em condições vantajosas, que vá além dos costumes sociais e de cortesia convencionalmente tidos como normais.

8 – Aceitar que o seu trabalho seja editado, corrigido ou eliminado pelos seus superiores hierárquicos, depois de lhes ser dada uma explicação para qualquer destas decisões.

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A NOSSA POLÍTICA DE CORREÇÕES

Sempre que o POLÍGRAFO errar – apesar da nossa metodologia meticulosa, não temos a pretensão da infalibilidade –, corrigirá o erro de forma muito visível, comprometendo-se a republicar o conteúdo já corrigido no mais curto espaço de tempo possível e com igual destaque ao que foi dado ao texto original – o que quer dizer, por exemplo, que se o artigo em causa foi manchete na homepage, a sua atualização também será colocada em manchete, com a indicação de que se trata de uma atualização de um texto que continha uma imprecisão. A atualização deve ser igualmente divulgada nas redes sociais, caso o fact-check em causa também tiver sido divulgado através desse meio.

Se a publicação original não for editável, a nossa política passa por fazer uma nova publicação em todas as plataformas em que seja impossível modificar o conteúdo, nomeadamente em redes sociais como o Twitter.

Na atualização do artigo deve estar muito claramente identificado qual foi o conteúdo que se verificou estar incorreto, bem como a hora a que a mesma foi efetuada. Se, na sequência da atualização, se justificar uma mudança da avaliação da informação, ela será feita e assumida enquanto tal.

Todos os pedidos de correcção são analisados, independentemente de estar em causa um pequeno ou um grande erro. Isto porque o POLÍGRAFO está à disposição dos leitores sem qualquer reserva, seja para retificar uma informação, seja para enriquecer um conteúdo já existente.

O contacto pode ser feito através das várias plataformas em que o projeto se encontra presente (site, Twitter, Facebook, LinkedinTik Tok e Instagram) ou diretamente, através de um e-mail dirigido ao endereço geral  (contactos@poligrafo.pt), aos autores dos fact-checks ou ao seu diretor, Fernando Esteves, cujos contactos estão disponíveis aqui.

No ano de 2022 fizemos a seguinte atualização/correção:

Afirmações do Primeiro-Ministro sobre a carga fiscal dos combustíveis.

(Por causa da utilização de dados incorretos, classificámos uma afirmação de António Costa como falsa. Veio a clarificar-se que a nossa avaliação estava errada. Corrigimo-la e publicámos o texto de novo)

 

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COMO FAZER COMENTÁRIOS?

Qualquer comentário aos artigos do Polígrafo deve ser feito diretamente ao autor do texto em questão, através dos canais próprios disponibilizados no site, ao diretor do jornal, Fernando Esteves, ou através do endereço geral (contactos@poligrafo.pt).