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Explicador: O que é um “deepfake” e como detetá-lo?

Vivemos no século do digital. Do não ter tempo para nada ao "scroll" pelas redes sociais sem nos darmos conta do que estamos verdadeiramente a consumir. A partilha de vários conteúdos torna-se frequente sem que, muitas vezes, nos informemos sobre o assunto. Vivemos também na era da Inteligência Artificial e de técnicas de manipulação como o "deepfake". Sabe o que é? Vamos desconstruí-lo.

O que é um deepfake?

Um deepfake é uma técnica usada para manipular vídeos com recurso à Inteligência Artificial. Este tipo de técnica baseia-se essencialmente na manipulação de um vídeo, trocando caras, vozes ou declarações, de forma a criar a ilusão de que determinada pessoa está a dizer uma coisa que, na realidade, não disse. Existem vários exemplos de deepfakes a circular online que podem até já lhe ter passado pelo ecrã e não ter reparado.

Num artigo publicado pela plataforma de fact-checking PolitiFact, são apontados alguns exemplos de figuras públicas alvo destes vídeos manipulados. E esta manipulação, às vezes quase indetetável, gera desconfiança e pode mesmo influenciar, por exemplo, resultados eleitorais.

Delphine Colard, porta-voz adjunta do Parlamento Europeu, em entrevista para o Polígrafo reconheceu a complexidade de vídeos manipulados com esta técnica. Estes deepfakes “são susceptíveis de colocar as pessoas a afirmar coisas que nunca disseram ou em situações em que nunca estiveram” tornando-se uma ameaça.

Como detetar um deepfake?

Existem deepfakes mais realistas e outros que são demasiado óbvios para gerar dúvida. Mas a evolução da IA, tenderá a que esta técnica se vá aprimorando e melhorando a qualidade gerando vídeos cada vez mais perfeitos que exigem mais tempo a serem analisados. Mas, para os mais distraídos, este pode ser um guia a ter em conta.

O Mit Media Lab, um projeto de investigação académico que se debruça sobre como detetar deepfakes, apresenta várias dicas que podem ser úteis para verificar se um vídeo foi manipulado e a atenção aos detalhes é um dos pontos-chave.

Quando está perante um vídeo deve reparar em vários pontos do rosto. Começando pela pele, está demasiado suave ou enrugada? Mais do que seria suposto? Se sim, é um sinal de alerta. Depois focar nos olhos, sobrancelhas ou óculos. O deepfake poderá evidenciar aí alguns defeitos que o denunciem, tais como sombras ou algum tipo de deformação.

Analisar também se existe demasiado brilho ou se as sombras não acompanham o movimento da pessoa. Atente ainda no movimento dos lábios do indivíduo enquanto este fala, no movimento do cabelo, se lhe parece natural, ou ainda se pestaneja.

Estas são algumas pistas que podem levá-lo a identificar um deepfake, garantindo que a desinformação gerada por esta técnica seja mais facilmente detetada. Mas, na dúvida, procure o conteúdo em causa em fontes credíveis e compare e evite partilhar um vídeo sobre o qual tenha dúvidas sobre a sua autenticidade.

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Geração V

Este artigo foi desenvolvido pelo Polígrafo no âmbito do projeto “Geração V – em nome da Verdade”, uma rede nacional de jovens fact-checkers. O projeto foi concretizado em parceria com a Fundação Porticus, que o financia. Os dados, informações ou pontos de vista expressos neste âmbito, são da responsabilidade dos autores, pessoas entrevistadas, editores e do próprio Polígrafo enquanto coordenador do projeto.

*Texto editado por Marta Ferreira.

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