Na véspera de Natal, esta publicação no YouTube garantia que Volodymyr Zelensky tinha comprado por 8 milhões de euros, em outubro, a célebre vivenda que fora de Joseph Goebbels, o ministro da propaganda da Alemanha dirigida por Adolf Hitler (1933-1945).
Para provar o que era afirmado, foram apresentados fac-símile de várias páginas do suposto contrato de aquisição e para credibilizar todo o conteúdo a autora da publicação, Sabine Mels, garantia ser uma ex-funcionária da imobiliária que tinha tratado da transação – a Berliner Immobilienmanagement GmbH (BIM) – e que tinha obtido toda aquela informação através de uma antiga colega de trabalho.
Segundo Sabine Mels, o presidente da Ucrânia tinha utilizado a Film Heritage Inc. – uma suposta empresa offshore a que tem ligação – para comprar aquela imponente casa de campo (1.600 m2), situada junto ao lago Bogensee, a menos de uma hora de Berlim.
No seguimento desta publicação, o conteúdo disseminou-se pelas outras redes sociais (no Telegram e no X escreveu-se mesmo que a informação tinha sido dada por jornais), inclusive num canal oficial, a conta no X da embaixada russa na África do Sul (publicado a 29 de dezembro e retirado mais tarde).
A informação apresentada é verdadeira?
A BBC e o jornal digital alemão “t-online” investigaram esta publicação e descobriram diversas falsidades, que destroem a narrativa publicada.
Autora
A imobiliária alemã citada (BIM) negou à empresa pública de rádio e televisão britânica que alguma vez tenha tido nos seus quadros uma funcionária com o nome Sabine Mels.
A BBC descobriu também que, na única rede social com um utilizador cujo nome é Sabine Mels (o X), a foto usada é roubada à conta de uma atriz norte-americana (Alyssa Gadson). Trata-se, portanto, de um perfil falso.
Documentos
A BBC e o “t-online” partiram do nome do notário apresentado nos documentos para tentarem obter mais informações. E foi o próprio Friederike Schulenburg que lhes garantiu não ter elaborado aquele contrato – apesar de ser advogado e de ter dito que no passado havia trabalhado como notário com o BIM – por esta razão: ter mais de 80 anos e ultrapassado o limite etário (70 anos) imposto por lei para realizar aquele tipo de atos.
Schulemburg alertou ainda para alguns pormenores que indicam que o contrato é falso: a existência de um título no documento que não é utilizado (“Kaufvertrag” ou “Contrato de Compra”); a ausência de selo, da assinatura e da notação “cópia autenticada” e, finalmente, o próprio grafismo do documento não corresponder ao padrão.
A operação em si
A venda da chamada “Goebbels Villa” foi negada categoricamente tanto pelo BIM à BBC como pelas autoridades locais ao “t-online”. Não houve qualquer transação ou, tão pouco, manifestação de intenção do Estado em vender a particulares aquele espaço, até pelo perigo do aproveitamento simbólico que dele poderia fazer algum grupo de extrema direita.
É, assim, falso que Zelensky tenha comprado a vivenda de férias do antigo ministro nazi Joseph Goebbels. O perfil do autor da publicação e os documentos apresentados são forjados e não correspondem a uma existência real.
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Avaliação do Polígrafo:
