A informação foi divulgada pelo Semanário Extra, uma página frequentemente ligada à divulgação de desinformação. Segundo o autor - anónimo - do texto, a ex-presidente do PSD defendeu a obrigatoriedade de os idosos com 70 anos pagarem os seus tratamentos de hemodiálise. O texto suscitou a dúvida de vários leitores do Polígrafo, que solicitaram em Dezembro (quando a informação começou a correr nas redes sociais) e esta semana de novo a sua verificação.

Manuela ferreira leite

É uma realidade que Ferreira Leite se disse favorável ao pagamento dos tratamentos, num programa na SIC Notícias. A sua interlocutora foi, então, a jornalista Ana Lourenço e a intervenção ocorreu durante o programa "Contra Corrente". Perante a questão da profissional que entretanto ingressou na RTP - "Não acha abominável que se discuta se alguém que tem 70 anos tem direito à hemodiálise  ou não?" - a ex-líder do PSD respondeu desta forma: " Tem sempre direito se pagar. O que não é possível é manter-se um Sistema Nacional de Saúde como o nosso, que é bom, gratuito para toda a gente. Para se manter isso, o Sistema Nacional de Saúde vai-se degradar em termos de qualidade de uma forma estrondosa. Então, nem para ricos, nem para pobres. E será inevitável que tratamentos desse estilo, evidentemente que existem, e que as pessoas têm direito a eles, desde que paguem. Fora disso não é possível gratuitamente. O país não produz riqueza para isso e se não produz riqueza para isso degrada-se a qualidade.

sangue frio
créditos: Pixabay

A declaração de Ferreira Leite incomodou o socialista António Vitorino, também presente em estúdio - e o agora director-geral da Organização Internacional para as Migrações não quis deixar de dar conta disso mesmo: "A mim choca-me pessoalmente a frase da doutora Manuela Ferreira Leite, que é quem tem mais de 70 anos e quer fazer hemodiálise paga. Não era certamente esta a frase que ela queria exactamente dizer, na medida em que não é possível dizer que as pessoas que precisam de fazer hemodiálise e que tenham dinheiro é que podem passar para além da meta de 70 anos. Não podemos falar de dinheiro, porque estamos a falar de direitos humanos."

Avaliação do Polígrafo:

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