Nos últimos meses, as greves dos profissionais de saúde – com os enfermeiros à cabeça – têm frequentemente feito as manchetes dos jornais e as aberturas dos telejornais. A sensação de que o instrumento da greve é especialmente utilizado no sector é uma realidade. Mas estará ela sustentada nos números oficiais? A resposta é sim. Segundo dados disponíveis no Portal da Transparência, as greves no Serviço Nacional de Saúde (SNS) representaram, em 2018, cerca de 180 mil dias de trabalho perdidos, um número superior ao registado em 2017, em que se fixou em cerca de 120 mil dias.

Marta Temido esteve no Parlamento e falou sobre a taxa de absentismo no SNS (cerca de 11% contra 4% dos restantes organismos da Função Pública), com especial enfoque nas ausências por doença e acidente. Entre 2014 e 2017, o número total de dias de ausências no Ministério da Saúde aumentou 24%. Só em 2017, as faltas dadas pelos profissionais de saúde totalizaram quase 3,8 milhões de dias em 2017, mais 2,4% do que no ano anterior, a maioria devido a doença (46,3%), a que se segue a proteção na paternidade (32,9%) e os acidentes em serviço (4,5%).

Para analisar o fenómeno do absentismo no SNS, a ministra anuncioua realização de umestudo sobre o tema e o respetivo impacto nas instituições do SNS. “O nosso objetivo é aprofundar a caracterização do absentismo e identificar o absentismo evitável, considerando em especial o absentismo por doença e por acidente em serviço, o que nos deverá preocupar especialmente num setor como o nosso", afirmou Marta Temido, que pretende ainda "calcular o impacto económico do absentismo, identificá-lo por instituição e por tipo de absentismo".

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Quanto à perda de 180 mil dias de trabalho perdidos em 2018 na sequência das greves profissionais, ela corresponde à verdade, segundo dados oficiais que pode consultar aqui. Quanto às restantes informações reveladas por Marta Temido (que, sublinhe-se, não mencionou a questão das greves), todas se confirmam. Estão disponíveis no Relatório Social do Ministério da Saúde e do Serviço Nacional de Saúde relativo ao ano de 2017, que pode consultar aqui.

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Fonte: Administração Central dos Sistemas de Saúde

Nota: este artigo foi alterado às 18h34 do dia 28/03, com a inclusão de novos dados estatísticos e uma retificação: a ministra da Saúde, Marta Temido, não mencionou os dados sobre greves no setor no Parlamento.

Avaliação do Polígrafo:

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