O tema das touradas é um dos que mais debate e polémica gera em Portugal. O blogue anti-tourada “Prótouro” publicou um post no passado dia 27 de janeiro de 2019, que dava conta de que a autarquia de Santarém teria gasto a “módica quantia de 20 mil euros na aquisição de bilhetes para a primeira tourada que terá lugar no dia 17 de março na praça Celestino Graça”.

Para consubstanciar a informação, o blogue cita a vereadora social-democrata Maria Inês Leiria Barroso: “Portanto, nós adquirimos 20 mil euros em bilhetes para a primeira corrida de touros, vamos oferecer nas juntas de freguesia, vamos oferecer aos escalabitanos, para que nós tenhamos os 11500 lugares, no dia 17 de março, completamente esgotados”. Pela leitura do texto não se percebe em que contexto a declaração foi feita, mas a verdade é que os leitores lhe atribuíram  a credibilidade suficiente para  a partilharem nas redes sociais, nomeadamente no Facebook, onde a mesma gerou uma onda de indignação. Vários leitores do Polígrafo solicitaram a verificação da veracidade desta informação através da nossa linha de WhatsApp, disponível na homepage do site (968213823).

Em declarações ao Polígrafo, Maria Inês Leiria Barroso admite ter-se equivocado nas declarações que fez no que respeita aos valores em questão. “Posso ter gerado confusão. O município pretende apoiar com 20 mil euros, ou até mais, mas para a primeira a corrida estão previstos dez mil, e cinco mil para as próximas duas”, afirma. Esta versão coincide com a que presidente da autarquia, Ricardo Gonçalves, eleito pelo PSD nas eleições de 2016, partilhou com o Polígrafo.

A câmara adquiriu bilhetes, sim, mas, de facto, não nesse montante: “Dez mil euros para a corrida inserida nas festas da cidade [Festas de São José], sendo que a entidade Praça Maior [associação responsável pela programação tauromáquica da Praça de Touros Celestino Graça], dará um bilhete por cada um adquirido”.

vereador
A vereadora Maria Inês Leiria Barroso

Ou seja, para uma corrida foram gastos 10 mil euros e não 20 mil, como foi referido na notícia do Prótouro - e como foi inicialmente admitido pela vereadora. No entanto, o presidente da câmara esclareceu ainda que vão existir mais duas corridas, e que, para cada uma, a autarquia comprou cinco mil euros, perfazendo um total de 20 mil.

O debate em torno da abolição ou não das touradas marcou o ano de 2019. O Partido Pessoas e Animais (PAN) defende a  sua abolição e, apesar de não ter no Parlamento apoio suficiente para impor as suas ideias, encontrou na ministra da cultura, Graça Fonseca, uma cúmplice ativa, nomeadamente quando a governante afirmou em plenário que “a tauromaquia não é uma questão gosto, mas de civilização”, no momento em que se discutia o alargamento da redução do IVA dos espectáculos.

Avaliação do Polígrafo:

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