Depois de muito recentemente ter sido vítima de um rumor colocado a circular nas redes sociais que garantia que teria uma relação homossexual com o ex-deputado federal Jean Wyllys (entretanto exilado do Brasil depois de ter sido acusado pelos apoiantes de Bolsonaro de ter planeado a tentativa de homicídio contra o atual presidente do Brasil), o ator e realizador brasileiro Wagner Moura – conhecido internacionalmente por ter sido protagonista da série da Netflix “Narcos”, onde interpreta a figura do impiedoso traficante de droga Pablo Escobar - volta a ser o alvo direto de mais um rumor que viralizou nas redes sociais.

O pretexto da “fake news” que está a ser difundida é o mesmo que o da anterior: a apresentação do filme "Marighella", realizado por Moura, no Festival Internacional de Cinema de Berlim. Mas em vez de noticiarem um suposto beijo que Wagner Moura teria trocado com Wyllys, os autores do boato garantem desta vez que Moura terá dado uma entrevista promocional sobre o filme em que se encontra totalmente drogado.

Como prova das suas alegações, os promotores da publicação exibem um vídeo de uma entrevista que Wagner Moura deu sobre a película, em que o ator e realizador surge algo disléxico, com dificuldade em articular frases e pensamentos, e constantemente a mexer nas narinas.

Foram várias as versões colocadas a circular sobre o que se teria passado. Três exemplos:

1 – "Wagner Moura, visivelmente cheirado/drogado em entrevista sobre o filme que homenageia Mariguella. É esse tipo que está representando a nossa cultura lá fora. Qual o moral desse cara pra falar mal do governo?"

2 – "Wagner Moura tem crise de rinite da Colômbia enquanto fala do seu novo filme #Marighella."

3 – "Wagner Moura dá entrevista drogado. Em entrevista ator Wagner Moura da entrevista drogado [SIC]."

narcos
O ator a coçar o nariz num dos momentos da entrevista

O site brasileiro boatos.org analisou as imagens e tirou várias conclusões. Uma delas é que a entrevista em causa efetivamente existiu. A segunda, mais importante do que essa, é que ela foi totalmente manipulada para obter um efeito de descredibilização do ator, suportando uma tese que não encontra sustentação na realidade.

A verdade é que a versão integral da entrevista tem 27m08s. Já a manipulada tem apenas 1m49s. O que os produtores da desinformação fizeram foi compactar os gestos de Moura (de facto o ator coçou várias vezes o nariz) num curto espaço de tempo para dar a entender que se tratava de um gesto quase constante, e, por outro lado, efetuaram cortes cirúrgicos no discurso de Moura, no sentido de criar a sensação de que este não conseguia sequer terminar as suas frases.

Uma vedeta brasileira

Aos 42 anos, Wagner Moura é uma das estrelas mais visíveis do cinema brasileiro. Além de ter obtido consagração internacional com o papel de Pablo Escobar, o ator distinguiu-se em filmes como Carandiru e Tropa de Elite 1 e 2, em que desempenhava o papel de capitão Nascimento, um idealista que luta contra o tráfico de droga nas favelas.

tropa

Em “Marighella”, Wagner narra, na sua estreia como realizador, a história real de Carlos Marighella, ex-deputado, poeta e guerrilheiro brasileiro que foi assassinado pela ditadura militar em 1968.

Avaliação do Polígrafo:

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Falso
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