O protagonista do meme é José Vieira da Silva, atual ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. "Escândalo na Segurança Social", denuncia-se no título da publicação que está a circular nas redes sociais, acumulando centenas de partilhas.

"Ministro Vieira da Silva investiu dinheiro da Segurança Social numa empresa privada, perdeu 19 milhões de euros e continua em funções", indica o respetivo texto, por cima da imagem de Vieira da Silva.

E na base inferior do meme lança-se a seguinte questão: "Como é que é possível um ministro socialista ter o poder de investir dinheiro do Fundo da Segurança Social, ou seja, dinheiro das pensões dos contribuintes, perder 19 milhões de euros e continuar em funções, sem que nada aconteça?"

É verdade que Vieira da Silva investiu "dinheiro da Segurança Social numa empresa privada" e "perdeu 19 milhões de euros"? Verificação de factos.

No dia 25 de fevereiro de 2019 foi noticiado pelo jornal "Correio da Manhã" que o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) perdeu 18,6 milhões de euros devido à falência de um dos seus principais investidores, a Finpro. A empresa que faliu era também uma das maiores devedoras da Caixa Geral de Depósitos (CGD), a qual perdeu 23,8 milhões de euros, na medida em que detinha 17,2% da Finpro. Quanto ao FEFSS, como detinha 10% da Finpro, perdeu os já referidos 18,6 milhões de euros.

O investimento do FEFSS na Finpro foi realizado entre 2005 e 2007, quando estava em funções o primeiro Governo liderado por José Sócrates, do PS, com Vieira da Silva no cargo de ministro do Trabalho e Solidariedade Social. Na altura, o investimento na empresa foi justificado com o objetivo de se "diversificar a carteira" do fundo.

Cerca de 14 anos depois, o investimento na Finpro resulta na perda de 18,6 milhões de euros para o FEFSS. No mesmo artigo do jornal "Correio da Manhã", Vieira da Silva, questionado sobre o assunto, explica que a crise económica surgida em 2008 não permitiu a dispersão do capital da empresa em bolsa, "não deixando alienar a participação detida pelo FEFSS em caso de evoluções menos favoráveis".

Importa aqui salientar que em auditoria ao FEFSS efetuada em 2010, o Tribunal de Contas classificou o investimento como "muito arriscado pela alavancagem associada", acrescentando ainda que o processo de investimento na Finpro não foi "absolutamente transparente numa primeira fase", quando se estabeleceu o contacto entre o FEFFS e a empresa.

O investimento do FEFSS na Finpro foi realizado entre 2005 e 2007, quando estava em funções o primeiro Governo liderado por José Sócrates, do PS, com Vieira da Silva no cargo de ministro do Trabalho e Solidariedade Social. Na altura, o investimento na empresa foi justificado com o objetivo de se "diversificar a carteira" do fundo.

Recorde-se que a Finpro foi liquidada em 2015, depois de os credores terem chumbado um segundo Processo Especial de Revitalização (PER). Além do FEFFS e da CGD, a sociedade de investimentos em infraestruturas teve como acionistas Américo Amorim e Horário Roque (antigo dono do Banif).

Em conclusão, independentemente da explicação de Vieira da Silva, confirma-se a veracidade dos factos invocados na publicação em análise. Ressalvando apenas uma ligeira imprecisão no valor: foram 18,6 milhões e não 19 milhões de euros.

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