“Onde estão as pessoas, não vejo ninguém”, ouve-se num dos vídeos supostamente gravado nas urgências do Hospital de Leiria a 18 de janeiro. Este é apenas um dos vários exemplos de imagens propagadas nas redes sociais que, supostamente, provam que os hospitais não estão à beira da rotura devido ao número de internados infetados pelo novo coronavírus.

“Do lado de fora a afluência à zona C0vid bem como as urgências gerais quase não existe estando apenas duas ambulâncias paradas. As poucas pessoas que ali estão são para os rastreios”, lê-se na descrição de um vídeo publicado na mesma data e que mostra o exterior do Hospital de Santa Maria.

Numa outra publicação, o autor da gravação na qual se vê uma sala de espera quase vazia diz em tom irónico: “Aqui está o Hospital de Portimão às 17 e 30 a rebentar pelas costuras , super lotado que até estão a transferir pacientes de tão cheio que está”.

O Polígrafo verificou a veracidade de alguns dos vídeos desta corrente online que pretende negar a atual sobrelotação de vários hospitais portugueses.

A manipulação de datas e a partilha descontextualizada de um vídeo das urgências do Hospital de Leiria

Um post através do qual se propaga uma gravação feita nas urgências do Centro Hospitalar de Leiria já foi replicado mais de sete mil vezes na rede social Facebook desde a data da sua publicação, 18 de janeiro.

hospital de Leiria

O autor do vídeo descreve ao longo da filmagem as várias áreas do centro hospitalar por onde passa - a entrada das urgências, a sala de triagem e a suposta área dedicada aos doentes Covid-19 -, recorrendo repetidamente às expressões “vazio” e “sem gente”.

Mas como se explica esta situação?

Contactado pelo Polígrafo, o Centro Hospitalar de Leiria (CHL) confirma que as imagens foram captadas na unidade hospitalar.

O Polígrafo verificou que o vídeo em análise não só é anterior a esta data, como foi publicado no Facebook pela primeira vez a 3 de dezembro de 2020, há quase dois meses.

O CHL indica “não ter conhecimento da data da gravação”, mas assegura que esta é “anterior a 3 de janeiro de 2021, data de abertura da nova Área Dedicada a doentes com suspeita de Infeção Respiratória dos Serviços de Urgência”, pois mostra uma área do Serviço de Urgência Geral que “foi alterado depois desta data”.

O Polígrafo verificou que o vídeo em análise não só é anterior a esta data, como foi publicado no Facebook pela primeira vez a 3 de dezembro de 2020, há quase dois meses.

Ou seja, as publicações mais recentes estão descontextualizadas e transmitem a falsa informação de que o vídeo é atual quando na verdade terá sido gravado no início de dezembro ou até antes.

As imagens que afinal são de uma sala de espera das Consultas Externas do Hospital de Portimão

“Aqui está o Hospital de Portimão às 17h30 a rebentar pelas costuras, super lotado que até estão a transferir pacientes de tão cheio que está”, destaca-se na legenda de mais um vídeo que pretende negar a elevada ocupação na unidade hospitalar.

Nas imagens surge uma sala de espera com poucas pessoas à vista e com dezenas de cadeiras vazias.

No entanto, as imagens não foram captadas nas urgências do referido  hospital ou em outra área de receção de doentes Covid-19 ou não Covid-19, mas sim na sala de espera geral das consultas externas da Unidade Hospitalar de Portimão tal como esclarece fonte oficial do Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUL).

Neste momento, o CHUA apresenta uma “taxa de ocupação de 80% da sua capacidade de Internamento COVID intra-hospitalar”, já tendo aberto a 4ª fase do plano de contingência, que implicou a abertura do CHUA Arena, “uma unidade de Internamento de retaguarda localizada no Pavilhão Arena de Portimão, com capacidade para 100 camas com uma lotação atual a rondar os 50%”.

No entanto, as imagens não foram captadas nas urgências do hospital ou em outra área de receção de doentes Covid ou não Covid, mas sim na sala de espera geral das consultas externas da Unidade Hospitalar de Portimão tal como esclarece fonte oficial do Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUL).

Nos últimos dias, vários doentes que deram entrada nos hospitais de Lisboa foram transferidos para este hospital de campanha em Portimão.

A gravação do exterior do edifício do Hospital de Santa Maria

 “Hospital de Santa Maria às moscas esta tarde! Vejam”, apela o utilizador do Facebook que partilha um vídeo alegadamente do exterior do edifício da unidade de saúde que integra o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN).

A gravação mostra duas ambulâncias numa das entradas do hospital e um ambiente calmo na parte de fora da mesma unidade de saúde, o que, segundo o autor da publicação, contrasta com "as famosas filas de ambulâncias".

Ao Polígrafo, fonte oficial do Hospital de Santa Maria comprova que as imagens da filmagem correspondem à zona de urgência Covid do Hospital de Santa Maria.

No entanto, as imagens do exterior do edifício não provam que a referida unidade de saúde esteja a trabalhar no máximo das suas capacidades. Segundo dados disponibilizados pelo CHULN, no dia 18 de janeiro, data em que o vídeo foi publicado, “encontravam-se internados nesta unidade hospitalar 218 internados com Covid-19, sendo que 46 doentes estavam em UCI”.

O CHULN refere ainda que “perante a grande pressão na urgência dedicada a doentes respiratórios e nos internamentos na última semana, o hospital teve de alargar na última semana o seu plano de contingência Covid”. Assim, na Urgência Covid do Hospital de Santa Maria foi reforçada a capacidade de resposta, “com uma segunda estrutura já a funcionar junto à Urgência Central, com capacidade para cerca de 10 doentes”.

A Unidade Hospitalar alargou ainda a capacidade de internamento Covid em enfermaria “que passou de 160 para 200 camas no passado fim-de-semana” e prevê, num próximo passo, a adição de 6 vagas em UCI a juntar às 52 camas disponíveis atualmente.

__________________________

Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

Siga-nos na sua rede favorita.
Falso
International Fact-Checking Network