"Pessoas vacinadas são antenas. Nenhuma vacina causou isso em toda a história. Logo, tem algo diferente nessas injeções atuais. Algo que faz com que ímans fiquem atraídos e presos à pessoa que recebeu a injeção. Podem ser metais, nanorobôs ou rastreadores. Interessante notar e pensar: Para que diabos se colocariam nanorobôs, metais ou rastreadores em vacinas, senão para controlar totalmente o indivíduo e as massas? Todos estão sendo enganados", lê-se num dos posts detectados pelo Polígrafo que exibem os vídeos em causa.

Inicialmente começaram por surgir vídeos em que uma pessoa coloca um íman na região do antebraço onde afirma ter sido injetada a vacina e o objeto magnético fica aparentemente preso. Depois apareceram compilações de vídeos em que se justifica o fenómeno com a presença de metais na composição da vacina e com a injeção de microchips no organismo.

Têm algum fundamento científico?

"Os materiais que estão dentro das vacinas estão perfeitamente identificados e descritos. São todos componentes inofensivos para o organismo humano e nenhum deles é eletrónico, nenhum deles é nada que se assemelhe a um chip", assegura Miguel Prudêncio, investigador especializado em vacinas no Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa, em resposta ao Polígrafo.

Além do componente ativo - que vai despoletar a reação imunológica do organismo - estão presentes nas vacinas lípidos, sais e açúcares "que são necessários não só para que a composição do material injetado seja mais adequada ao organismo, mas também para que o processo de congelação das vacinas não conduza à sua degradação".

Para o investigador, a questão levantada pelos vídeos "morre à nascença" porque os componentes das vacinas são conhecidos e não incluem qualquer tipo de elemento metálico. De resto, aponta para uma série de evidências que refutam a ideia de que os vídeos mostram um efeito magnético provocado pelas vacinas contra a Covid-19.

Primeiro, seria necessário injetar uma grande quantidade de metais para que o íman conseguisse reagir e ficar preso à pele. Miguel Prudêncio sublinha que a vacina é injetada intramuscularmente, o que significa que existem várias camadas entre o local onde o fármaco é inserido e a epiderme - parte exterior da pele - onde se coloca o íman. À medida que aumenta a distância entre o íman e o elemento que o atrai, diminui a força magnética.

"As pessoas não têm coerência no disparate que tentam promover. Ao mesmo tempo que dizem que o chip era tão pequenino que passava numa agulha daquela dimensão minúscula, dizem que tinha suficiente poder magnético para atrair um íman", realça.

A segunda evidência está relacionada com a absorção pelo organismo do fármaco que é injetado. As vacinas contra a Covid-19 são vulgarmente administradas no antebraço. No entanto, à semelhança do que acontece com as restantes vacinas, o produto injetado é absorvido e não fica estático no local.

"O material que é injetado intramuscularmente é imediatamente absorvido e vai migrar, não fica ali", explica Miguel Prudêncio. "Aquele material vai ter de chegar às células do sistema imunitário para fazer aquilo que a uma vacina faz, que é despoletar uma resposta imunitária. Essa passagem começa de imediato e é um processo que pode demorar alguns minutos. Não fica ali à espera que a pessoa chegue a casa para pôr lá o íman".

Mas porque é que o íman parece ficar preso no braço? Na plataforma Metabunk, onde se dedica a desconstruir conteúdos de pseudociência, Mick West apresenta uma hipótese. Através de um vídeo, o divulgador de ciência mostra que é a pela oleosa que faz com que objetos metálicos e ímanes fiquem agarrados e que este "truque" resulta em qualquer parte do corpo, não apenas no sítio onde se injeta a vacina. "Ao remover o óleo, o objeto não irá ficar agarrado", garante.

Estes vídeos virais têm sido partilhados em diversos países e com descrições em várias línguas. A teoria do efeito magnético pós-vacinação já foi desmentida em vários artigos de verificação de factos, nomeadamente da AFP e da BBC.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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