"Resolvi vir para cá tendo em vista a gravidade dos factos que estão acontecendo. Eu sempre joguei dentro das quatro linhas da Constituição, sempre respeitei a nossa Carta Maior, passei por momentos difíceis mas segurámos em nome da democracia. (...) Sobre o episódio em andamento, o partido contratou uma empresa de auditoria, em setembro, depois contratou outra... E chegámos à conclusão, ou melhor, eles chegaram à conclusão, de forma técnica, que havia um desbalanço, uma diferença muito grande, entre inserções do PL [Partido Liberal] e do PT [Partido dos Trabalhadores], para muito mais ao PT", ouve-se Jair Bolsonaro dizer no clip de vídeo em causa, partilhado por milhares de pessoas no Brasil logo após a segunda volta da eleição presidencial, a 30 de outubro, que resultou na vitória de Lula da Silva.

O problema é que estas declarações de Bolsonaro foram realmente proferidas no dia 26 de outubro, ou seja, quatro dias antes da segunda volta da eleição presidencial. Como tal, não se trata de uma reação à derrota nas urnas de voto.

Em artigo de verificação sobre este mesmo vídeo viral, o jornal brasileiro "Aos Fatos" informa que "na ocasião registada nas imagens, o mandatário alegava que rádios, sobretudo do Norte e Nordeste, teriam transmitido mais inserções para o PT do que para o PL. A alegação é baseada num relatório elaborado pela campanha de Bolsonaro e enviado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a fim de provar uma suposta fraude eleitoral. O 'Aos Fatos' analisou o material em duas ocasiões e constatou erros e fragilidades. O relatório apontou pelo menos 9.764 inserções a mais do que as rádios citadas veicularam na realidade - das quais 6.906 (70% do total) para o PT e 2.858 (30%) para o PL. Por meio de amostragem, o 'Aos Fatos' constatou que todas as rádios mencionadas no relatório transmitiram o horário eleitoral conforme a lei".

"Algumas das publicações checadas alegam que, durante a declaração dada no dia 26 de outubro, Bolsonaro disse que entregará o Brasil para o Exército, o que não procede. Em nenhum momento, o mandatário afirmou isso, como pode ser conferido na transcrição do discurso", esclarece.

  • Bolsonaro recebe "aposentadoria especial" de 66 mil reais líquidos por mês?

    Está a ser difundida nas redes sociais uma imagem com um "extrato de pagamentos" da Previdência Social em nome de Jair Bolsonaro, atual Presidente do Brasil e recandidato ao cargo. De acordo com os dados no documento, Bolsonaro tem direito a uma "aposentadoria especial", na qualidade de "deputado federal" e "militar da reserva", que ascende a um valor mensal de cerca de 66 mil reais (mais de 12.500 euros) líquidos. Verdadeiro ou falso?

No mesmo sentido aponta a Agência Lupa: "A informação analisada pela Lupa é falsa. O vídeo é antigo e, portanto, foi retirado de contexto. As imagens são de uma entrevista coletiva originalmente transmitida no programa Expresso CNN em 26 de outubro de 2022 - ou seja, antes da realização do 2.º turno das eleições, no último domingo (30). Na verdade, até as 16h30 de 31 de outubro de 2022, quando foi publicada esta verificação, o Presidente não havia se pronunciado sobre o resultado."

"A entrevista reproduzida no conteúdo viral também está disponível em matéria da CNN Brasil. O evento aconteceu após a campanha de Bolsonaro entregar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um relatório denunciando que rádios teriam deixado de exibir pelo menos 154 mil inserções eleitorais do então candidato. O pedido de investigação, contudo, foi negado pelo presidente do órgão, Alexandre de Moraes", recorda.

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