São apenas 16 segundos de vídeo: o rasto de um suposto míssil aparece no céu e, depois, a imagem fica branca para ilustrar o momento em que este terá atingido a terra. Surge, a seguir, uma nuvem em forma de cogumelo – normalmente característica de uma explosão de grandes dimensões. “O míssil Kinzhal hipersónico atingindo um depósito de armas ucraniano a 137 metros de profundidade. Este míssil russo viaja 10 vezes a velocidade do som”, é a descrição da publicação que está a correr nas redes sociais.

Este vídeo não é verdadeiro. Uma análise aos frames (imagens por segundo) mostram que já tinha sido publicado anteriormente por um videógrafo que se apresenta como “InsanePatient2”, avança a "Associated Press" (AP). O vídeo foi publicado, a 27 de fevereiro, na sua conta de Youtube com o título “Se a Rússia começasse uma guerra nuclear?”. É também possível encontrar vídeos na conta de “InsanePatinet2” onde foram utilizados a mesma paisagem e o mesmo som. A AP tentou contactar o artista, mas não obteve resposta.

Kelly Stephani, engenheiro de ciências mecânicas e professor na Universidade de Illinois Urbana-Champaign, explicou à AP, por email, que “a velocidade de um míssil hipersónico em fase terminal (logo antes de atingir o alvo) é muito alta, superior a uma milha por segundo” (o equivalente 1,6 quilómetros por segundo), ou seja, em estimativa, “este vídeo mostra um projétil a viajar a aproximadamente 1000-2000 pés (304-609 metros) até ao alvo e levou dois segundos até ao impacto”. “Se fosse um míssil hipersónico, teria percorrido essa distância numa fração de segundo”, conclui o especialista.

Também Jonathan Poggie, professor na escola de Aeronáutica e Astronáutica da Universidade de Purdue, afirma, citado pela AP, que “o míssil verdadeiro seria tão rápido que apareceria como uma sequência rápida em vídeo, provavelmente capturado em apenas num único frame”.

A Rússia anunciou em março ter utilizado o míssil Kinzhal – que é referido nas publicações – durante o conflito na Ucrânia. O objetivo deste ataque seria destruir um armazenamento subterrâneo de mísseis ucranianos e armas para aviação na região Ivano-Frankivsk, no oeste do país. Uma informação que, na altura, não pode ser confirmada de forma independente.

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