"Aos poucos estão descobrindo quem é o bandido. Em Berlim, enorme carreata em apoio à Rússia.  Assim estão as estradas de Berlim hoje. Os motoristas organizaram um rali de mais de 5.000 carros em apoio à Federação Russa. Bandeiras da Rússia, da URSS e das Forças Aerotransportadas tremulam em carros. 'Eles não têm fim', comenta um morador local", garante o autor de uma publicação no Facebook, de 3 de abril, que partilha um vídeo com mais de dois minutos.

Nas imagens, é possível ver centenas de automóveis a circular numa via, em marcha lenta, ostentando bandeiras da Rússia e da Alemanha nas janelas e nos capots das viaturas. Será mesmo uma manifestação de apoio à Rússia?

De facto, no dia 3 de abril, foi organizada uma marcha automóvel, em Berlim, com o objetivo de chamar a atenção para a crescente hostilidade e discriminação contra a comunidade russa na Alemanha. O jornal britânico "The Guardian" noticiou que cerca de 900 manifestantes percorreram ruas da cidade numa demonstração que culminou no Estádio Olímpico.

Os automóveis foram decorados com bandeiras alemãs e russas, alguns exibiam o símbolo"Z", utilizado pelo exército russo. E, conta o artigo, alguns participantes entoaram canções patrióticas. Um dos organizadores, que exibia uma estrela de David no capot do seu automóvel com o slogan "Seremos nós a seguir?", fez uma comparação com a perseguição de judeus durante o regime nazi e disse que os manifestantes estavam zangados com a propaganda sobre a invasão que estava a ser feita nas escolas alemãs.

O que seria uma manifestação contra a discriminação da comunidade russa acabou por gerar uma onda de indignação por todo o país.

Andriy Melnyk, embaixador ucraniano na Alemanha, mostrou-se chocado com o facto de a demonstração ter sido autorizada pela polícia, em particular no dia em que foi conhecido o massacre na cidade de Bucha. No Twitter, escreveu: "Por amor de Deus, como puderam autorizar que esta marcha de vergonha acontecesse no meio de Berlim?"

Também o Senado de Berlim expressou preocupação com as próximas datas "sensíveis" que se aproximam, como o fim da II Guerra Mundial a 8 e 9 de maio, por acreditar que os nacionalistas russos podem aproveitar a ocasião para novas demonstrações. Torsten Akmann, secretário de Estado do Ministério do Interior, já veio garantir que não há manifestações previstas para esses dias e que "estão atentos". E a própria ministra do Interior, Nancy Faeser, declarou ao semanário "Welt am Sonntag" que "a exibição da letra 'Z' glorifica crimes de guerra, devendo ser perseguida criminalmente".

Apesar da indignação, estes protestos voltaram a acontecer nos fins de semana seguintes. Por exemplo, no domingo, 10 de abril, Frankfurt foi palco de várias demonstrações: de um lado, manifestantes pró-Rússia contestaram a discriminação que dizem sentir desde que a guerra na Ucrânia começou; do outro lado, a poucos metros, manifestantes  demonstraram apoio à Ucrânia invadida.

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