"São missionárias no Afeganistão jogadas em praça pública dentro de sacos de plástico para morrer por causa da palavra de Deus", descreve-se na publicação, datada de 30 de agosto. No clip, com cerca de um minuto, podem ver-se várias pessoas deitadas no chão e presas em sacos de plástico, cercadas por um grupo que observa sem intervir.

Confirma-se?

Não. Na verdade, o vídeo retrata uma performance artística intitulada "Empaquetados" (embalados, em português) realizada em maio, no Parque del Poblado, em Medellín, na Colômbia. Uma versão mais longa do vídeo foi publicada no YouTube e, segundo a autora da gravação, a intervenção tinha como objetivo homenagear as pessoas que surgiram mortas, embrulhadas em sacos de plástico, nos caixotes de lixo da região.

"Uma homenagem às pessoas que foram encontradas mortas nos últimos dias, sufocadas, em pedaços e sacos. Em homenagem a todos aqueles que deixaram suas casas para lutar pelos seus direitos e não puderam voltar para casa", escreveu.

No jornal colombiano "ADN Medellín", na edição de 27 de maio (página 6), explica-se que a performance foi realizada a propósito das 168 pessoas desaparecidas durante as várias manifestações na Colômbia, que começaram a 28 de abril na sequência da conjuntura política e social do país.

A Amnistia Internacional, numa nota publicada a 12 de maio, indica que a polícia colombiana "usou a força de forma indiscriminada e desproporcional" e que foram registados "números alarmantes de violência sexual e desaparecimento de pessoas".

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"As autoridades colombianas devem garantir o direito de reunião pacífica e abster-se de censurar e reprimir as manifestações que têm ocorrido desde 28 de abril em todo o país. Garantir o direito à vida e a segurança dos manifestantes pacíficos deve estar no centro da resposta das autoridades, de acordo com os padrões internacionais de direitos humanos", referiu Erika Guevara-Rosas, diretora da Amnistia Internacional para as Américas.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

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