"Bruxelas em protesto devido ao brutal aumento de custo vida e contra a NATO, com apelos ao fim do financiamento desta organização (devido à guerra na Ucrânia) e à reconversão desse financiamento para o aumento dos salários", garante uma publicação no Facebook, a 22 de junho. Em anexo, um vídeo com pouco mais de um minuto que mostra milhares de manifestantes na capital belga.

Mas será que o protesto tinha como objetivo contestar a NATO?

Não, o vídeo tem sido partilhado de forma descontextualizada. Entre 70 a 80 mil pessoas (conforme os números da polícia e dos sindicatos) manifestaram-se em Bruxelas, no dia 20 de junho, para exigir uma reforma da lei salarial. A lei atual impede que os salários aumentem além de uma certa percentagem todos os anos para não comprometer a rentabilidade das empresas belgas.

No protesto que tomou conta de várias ruas de Bruxelas, os manifestantes carregavam bandeiras e faixas com onde se lia: “Mais respeito, salários mais altos” ou “Fim do imposto especial de consumo”. Ou seja, nenhuma referência à NATO ou ao financiamento da organização.

O primeiro-ministro belga, Alexander De Croo, já garantiu que os trabalhadores belgas estão mais protegidos do que a maioria dos trabalhadores de outros países da União Europeia (UE) porque os salários estão ligados à inflação. Em declarações à RTBF, no dia da manifestação, afirmou ainda que o Governo alargou os incentivos fiscais sobre o gás, eletricidade e combustível até o final do ano.

Também o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Bélgica desmentiu, no Twitter, qualquer ligação dos protestos com a NATO ou o apoio do Governo belga a Kiev.

Em suma, o protesto de milhares de pessoas em Bruxelas foi sobre o aumento do custo de vida devido à subida da inflação e para pedir mudanças na lei salarial do país, e não sobre o apoio do Governo belga à Ucrânia.

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