"Última hora! Greve de mais de 400 pilotos do aeroporto de Atlanta. Recusam tomar a vacina de Bill Gates", descreve-se numa das publicações do vídeo em causa (neste caso em língua castelhana), no qual parece ver-se um conjunto de pilotos de avião, munidos de cartazes de protesto (cujas mensagens não são perceptíveis), a caminharem em fila na zona exterior de um terminal de aeroporto.

Do TikTok para o Instagram e Facebook, este vídeo tornou-se viral. Mas as respetivas legendas ou descrições são falsas, não correspondem ao que realmente aconteceu.

Através de ferramentas de análise como a "TinEye" e a "InVID" apuramos que estas imagens foram captadas no dia 30 de junho, durante uma manifestação de protesto realizada por centenas de pilotos da Delta Airlines, companhia aérea norte-americana, no Aeroporto Internacional Hartsfield-Jackson de Atlanta, Geórgia, EUA.

No breve clip de vídeo que está a ser difundido nas redes sociais, com apenas 19 segundos de duração, não são visíveis as mensagens dos cartazes empunhados pelos pilotos. Mas em várias notícias sobre o protesto (como esta da NPR) destacam-se fotografias nítidas dos cartazes e torna-se evidente que não têm qualquer relação com as vacinas contra a Covid-19.

Na realidade, os pilotos da Delta Airlines estavam a reivindicar aumentos salariais e melhores condições laborais. O protesto não se cingiu a Atlanta, mas estendeu-se por um total de sete aeroportos nos EUA, de Los Angeles a Nova Iorque. Também não se limitou aos pilotos de avião, mobilizando no total mais de 1.200 funcionários da companhia aérea, segundo reportou a NPR.

Além de aumentos salariais, os pilotos da Delta Airlines pedem melhores horários e um maior equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, seguros de saúde e planos de reforma. A NRP apurou que os pilotos desta companhia aérea, se realizarem os voos programados, chegarão ao final do Verão com mais horas extraordinárias de trabalho cumpridas do que nos anos de 2018 e 2019 em conjunto.

De resto, em março já tinham protestado, com as mesmas causas e reivindicações. Mais uma vez, sem qualquer relação com as vacinas contra a Covid-19. Pelo que as descrições ou legendas do clip de vídeo que está a ser partilhado nas redes sociais não correspondem ao que realmente aconteceu. Estão assim a reproduzir desinformação.

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