"Esqueceram-se de avisar o morto de que ele não podia mexer-se", ironiza-se numa das publicações do vídeo, datada de 8 de março, questionando: "Será que os 'jornalistas' de lá são mentirosos iguais aos daqui?"

Em causa está um vídeo amplamente partilhado nas redes sociais ao longo dos últimos dias, com imagens que terão sido captadas na Ucrânia, em plena guerra com a vizinha Rússia. Um repórter aparece em frente a um conjunto de cadáveres, em sacos de plástico, falando sobre o número de mortos na guerra. A dada altura, um dos supostos cadáveres começa a mover-se para segurar o saco que a cobre.

No oráculo do vídeo são legíveis referências, em língua inglesa, ao número de mortes registadas na guerra em curso, ao passo que no áudio ouve-se falar do crescimento desses números.

O movimento do cadáver está a alimentar teorias de conspiração, por entre acusações de fake news, desinformação e propaganda pró-Ucrânia. "Parem de mentir às pessoas", apela-se em comentários às publicações dos vídeos.

O vídeo é autêntico?

Não. As imagens foram manipuladas e não fazem parte de uma qualquer reportagem jornalística sobre a presente invasão da Ucrânia por forças militares da Rússia.

Na realidade, o vídeo original consiste numa reportagem da estação de televisão austríaca OE24, emitida a 4 de fevereiro de 2022, sobre um protesto contra as alterações climáticas que se realizou em Viena, Áustria.

As imagens foram captadas durante uma ação organizada pelo grupo "Fridays for Future Vienna" e há fotografias do protesto na página desse movimento no Facebook, com descrições que explicam o objetivo da iniciativa.

Os manifestantes recorreram à prática simbólica do "die-in", uma forma de protesto em que os participantes simulam estar mortos. Neste caso, os ativistas pretendiam mostrar que "a cada dia que não reduzimos as nossas emissões, 49 pessoas morrerão até o final do século".

Importa sublinhar que tanto o oráculo como o áudio do vídeo não correspondem ao original, tanto na forma como na língua. No vídeo original, o jornalista Marvin Bergauer descreve o protesto que acontece atrás de si em alemão e não faz qualquer referência à guerra na Ucrânia. Acresce que as imagens foram captadas a 4 de fevereiro, 20 dias antes do início da invasão militar ordenada por Vladimir Putin, presidente da Rússia.

Em conclusão, o vídeo foi manipulado e não tem qualquer relação com a presente guerra na Ucrânia.

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