O primeiro jornal português
de Fact-Checking

Vídeo mostra blindado com bandeira da UE em combate na zona da fronteira entre a Rússia e a Ucrânia?

União Europeia
O que está em causa?
Vídeo divulgado nas redes sociais mostra um tanque com uma bandeira azul. Publicações garantem tratar-se da bandeira da União Europeia (UE) e que o veículo de guerra circulava na zona de Belgorod, território russo na fronteira com a Ucrânia. Verificação de factos.

“Um tanque com uma bandeira da UE visto nas proximidades de Belgorod, A União Europeia está realmente a invadir a Rússia. Cuidado, Blighty, és o próximo!” [versão traduzida]

Esta mensagem integra uma das muitas publicações que apresentam, na maioria dos casos, um vídeo (e, noutros, fotografias) em que um carro blindado nas proximidades de Belgorod, cidade russa perto da fronteira com o Leste da Ucrânia, aparenta ter uma bandeira da UE. Os comentários são de regozijo pelo suposto apoio, agora no terreno, da Europa à Ucrânia.

As imagens do vídeo não são claras: na maior parte dos 27 segundos vê-se, de facto, ao longe, um tanque que transporta uma bandeira azul, mas, à primeira vista, é impercetível o que tem estampada.

A bandeira em causa é a da UE?

A ampliação das imagens disponíveis e outros elementos de informação recolhidos pela Deutsche Presse-Agentur permitem concluir que não se trata da bandeira da UE.

Com efeito, após a imagem ser aproximada e detalhada, a bandeira em causa parece ser constituída por uma coroa de trigo (em cor clara) em volta de um outro desenho inscrito. Ora, esta é o símbolo da legião “Liberdade da Rússia”, um movimento paramilitar russo, opositor de Vladimir Putin, que está do lado da Ucrânia neste conflito, combatendo as tropas oficiais do seu próprio país.

Tal é comprovável através da página oficial da legião nas redes sociais, bem como das de alguns dos membros que a integram, nas quais se pode ver uma coroa de trigo (uma das culturas mais típicas dos dois países) em branco, que circunda uma outro desenho que aparece ora em preto, ora em dourado/amarelo.

A confirmar a associação do carro blindado àquela organização pró-Ucrânia estão os diversos registos, de fontes diversas e até de lados opostos, sobre a existência de operações militares da legião “Liberdade da Rússia” na região de Belgorod no mesmo período temporal das publicações daquele vídeo e fotografias.

Com efeito, a 12 de março – a data em que foram feitas as publicações com o vídeo/fotografias – essa informação foi veiculada pelo próprio movimento paramilitar, através da divulgação de um vídeo nas redes que já não está disponível e de declarações dos seus responsáveis à agência AFP, com eco nos media à escala internacional.

Ainda nesse dia, também o ex-deputado russo Ilya Ponomaryov, na sua conta do Telegram, mencionou a existência de uma “operação conjunta” da legião “Liberdade da Rússia”, do Corpo de Voluntários Russos e do Batalhão Siberiano no avanço para as regiões de Kursk e Belgorod.

Na mesma altura, à agência TASS, o Ministério da Defesa russo confirmou também aqueles ataques, ao referir que “formações ucranianas tentaram invadir o território da região de Belgorod em três direções ao mesmo tempo”.

É, portanto, falso que o blindado tenha a bandeira da UE, ou seja, que um carro desta organização – que, relembre-se, não tem qualquer força militar – tivesse estado envolvido em operações militares na zona de fronteira entre a Rússia e a Ucrânia. Trata-se, sim, da bandeira da legião “Liberdade da Rússia”, que protagonizou um movimento militar em Belgorod, aproximadamente entre os dias 11 e 12 de março, altura da publicação verificada.

________________________________________

UE

Este artigo foi desenvolvido pelo Polígrafo no âmbito do projeto “EUROPA”. O projeto foi cofinanciado pela União Europeia no âmbito do programa de subvenções do Parlamento Europeu no domínio da comunicação. O Parlamento Europeu não foi associado à sua preparação e não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores do programa. O Parlamento Europeu não pode, além disso, ser considerado responsável pelos prejuízos, diretos ou indiretos, que a realização do projeto possa causar.

________________________________________

Avaliação do Polígrafo:

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Em destaque