A partilha de vídeos deepfake relacionados com a invasão da Ucrânia pela Rússia têm marcado presença constante nas redes sociais desde o início do conflito. Poucos dias após o início do conflito, a 2 de março,  as autoridades ucranianas já tinham alertado para o perigo de a Rússia utilizar vídeos manipulados com a imagem e voz do Presidente Volodymyr Zelensky.

"Os vídeos produzidos através dessas tecnologias são quase impossíveis de distinguir dos reais. Esteja ciente de que isso é falso! O objetivo é desorientar, semear o pânico, gerar descontentamento nos cidadãos e vergar as nossas tropas à rendição", informou então o Centro de Comunicações Estratégicas e Segurança da Informação da Ucrânia. O Polígrafo já verificou e classificou como manipulado um vídeo em que Zelensky anuncia a rendição da Ucrânia.

Desta vez, o protagonista é Vladimir Putin. Num vídeo com duração de um minuto e meio o presidente russo comunica a submissão do seu país no conflito que dura desde 24 de fevereiro. "O presidente da Federação Russa anunciou a rendição da Rússia. Soldado russo, largue suas armas e vá para casa enquanto estiver vivo!", destaca-se, em russo, no tweet partilhado a 16 de março de 2022.

A plataforma de verificação de factos "Lead Stories" analisou o vídeo e concluiu que, a 16 de março de 2022, Vladimir Putin não realizou tal discurso. Não existe qualquer registo do mesmo em órgãos de comunicação social russos ou internacionais.

No site oficial do Kremlin informa-se que nesta data Putin esteve em reunião com o primeiro-ministro arménio Nikol Pashinyan. No mesmo dia, assinou um decreto sobre "medidas para garantir a estabilidade sócio-económica e a proteção da população na Federação Russa". Mas não existe qualquer referência a esta ou outra intervenção pública do presidente russo.

Através de uma pesquisa no Google ou em ferramentas de verificação de imagens, é possível localizar o vídeo original, utilizado para criar este deepfake. Trata-se de um discurso de Putin a explicar os motivos do conflito com a Ucrânia, divulgado no dia 21 de fevereiro de 2022 pelo Kremlin.

Conclui-se que o vídeo, que entretanto foi sinalizado pelo Twitter como conteúdo multimédia manipulado, é um deepfake onde Putin surge, de forma falsa, a anunciar o fim do ataque da Rússia à Ucrânia.

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