Um excerto de um vídeo de 2001 de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, voltou às redes sociais na sequência dos mais recentes confrontos no Médio Oriente. "O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, não se apercebeu de que esta conversa com colonos israelitas estava a ser gravada. A sua retórica altamente anti-palestiniana não se alterou muito desde esta gravação de 2001", lê-se na descrição do vídeo, divulgado no Instagram a 26 de maio.

Mas serão autênticas as declarações de Netanyahu, numa altura em que este ainda não tinha retomado qualquer cargo político no Governo israelita?

Sim. Segundo um artigo de 18 de julho de 2010, da cadeia de televisão Al-Jazeera, as declarações foram gravadas durante os primeiros dias da segunda Intifada, num momento de escalada da violência entre Israel e a Palestina. Netanyahu estaria, assim, em conversa com colonos que teriam perdido familiares na sequência de ataques por parte da Palestina.

"Ariel Sharon, o primeiro-ministro israelita à data, tinha enviado recentemente tropas israelitas adicionais para a Cisjordânia", pode ler-se no mesmo artigo.

O Polígrafo consultou várias traduções do mesmo excerto, com alterações pouco significativas entre elas. Ainda assim, para este artigo foi utilizada a de Liel Leibovitz, um jornalista israelo-americano, com um artigo a este propósito publicado na revista "Tablet", a 15 de julho de 2010.

Logo no início da gravação, Netanyahu sugere que a única forma de lidar com palestinianos é "espancando-os. Não uma vez, mas repetidamente. Espancá-los até a dor se tornar insuportável".

Ainda segundo Leibovitz, "logo depois de afirmar que a única maneira de lidar com a Autoridade Palestiniana era um ataque em grande escala, Netanyahu foi questionado por um dos participantes se os Estados Unidos permitiriam ou não que tal ataque viesse a acontecer".

  • Conflito no Médio Oriente provocou 22 vezes mais mortes na Palestina do que em Israel?

    Está a ser divulgado nas redes sociais um gráfico que mostra o suposto "custo humanitário do conflito entre Israel e a Palestina", expresso em número de mortes e feridos em cada uma das regiões. Segundo os dados, desde 2008 e até 2020, o território palestiniano somou 22 vezes mais mortes do que Israel. A pedido de vários leitores, o Polígrafo verifica.

O vídeo prossegue: "Eu sei o que é a América. A América é uma coisa que se pode mover com muita facilidade, na direção certa. Eles não vão atrapalhar". O atual primeiro-ministro israelita falou ainda sobre a possibilidade de minar os Acordos de Oslo, uma série de acordos assinados em 1993 que estabeleciam uma estrutura para futuras negociações entre israelitas e palestinianos.

Os Acordos de Oslo especificavam que Israel teria permissão para manter "zonas militares" na Cisjordânia em qualquer futuro acordo com a Autoridade Palestiniana. Netanyahu informou os colonos que usaria essa brecha para reter grandes porções do território palestiniano.

Este excerto foi esmiuçado num artigo de 27 de novembro de 2013 da The Atlantic, sobre o obstrucionismo do primeiro-ministro israelita. Segundo a revista, e durante a gravação, Netanyahu apelidou ainda Bill Clinton - o ex-presidente dos EUA que ajudou a negociar os acordos - de "radicalmente pró-palestiniano".

Em suma, é autêntica a gravação de Benjamin Netanyahu, agora divulgada nas redes sociais, contendo declarações polémicas do atual primeiro-ministro. Ainda assim, o Polígrafo não conseguiu encontrar a gravação completa, que terá entretanto sido retirada da Internet. Aliás, os links para a gravação incluídos nos artigos de outros jornais também não se encontram disponíveis.

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Avaliação do Polígrafo:

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