A crítica começou nos Estados Unidos da América (EUA), com os republicanos a partilharem, de forma descontextualizada, uma intervenção da vice-presidente Kamala Harris, esta terça-feira (26 de julho), numa conversa sobre os direitos reprodutivos naquele país, mas chegou a Portugal pouco tempo depois. No Twitter, por exemplo, um utilizador troçou da apresentação de Harris que, além de incluir os seus pronomes, fez questão de referir o que era, onde estava e como estava vestida:

"Sou a Kamala Harris, os meus pronomes são ela e dela e sou uma mulher sentada numa mesa com um fato azul."

No entanto, a verdade é que este clip de vídeo tem circulado sem o devido contexto: Kamala Harris estava a participar numa "mesa redonda" sobre a revogação da decisão Roe v. Wade pelo Supremo Tribunal dos EUA e o consequente impacto nos direitos das pessoas portadores de deficiência. A descrição pormenorizada serviu, portanto, os invisuais que estavam presentes no evento.

A reunião decorreu a 26 de julho, no 32º aniversário da assinatura do Americans with Disabilities Act (ADA) e o objetivo consistia em discutir o acesso aos cuidados de saúde reprodutiva com líderes de associações ou movimentos em defesa dos direitos das pessoas com deficiência. De acordo com um comunicado da Casa Branca, as conversações tiveram por base os compromissos da vice-presidente acerca dos direitos reprodutivos com os profissionais de saúde, líderes religiosos, especialistas em direito constitucional, privacidade e tecnologia, defensores e ainda procuradores-gerais estaduais.

Harris lembrou que "as disparidades no acesso aos cuidados de saúde continuam a existir no nosso país para pessoas com deficiência", referindo que estes desafios foram exacerbados depois de ao Supremo Tribunal dos EUA ter revogado a Roe v. Wade. Entre os participantes estavam Dior Vargas, defensora dos direitos dos portadores de deficiência e da saúde mental; Maria Town, da Associação Norte-Americana de Pessoas com Deficiência; Lydia Brown, presidente da Autistic Women and Non-Binary Network; Robin Wilson-Beattie, educadora de saúde sexual e reprodutiva com deficiência; e ainda Sam Crane, diretor jurídico da Quality Trust for Individuals with Disabilities.

"Pedi a estes líderes que viessem para que possamos discutir estas questões e prestar atenção ao facto de que a decisão de Dobbs, e o ato do Supremo Tribunal de retirar um direito constitucional, vai ter um impacto na vida de muitas pessoas e de uma forma diferente, em algumas situações. É necessário darmos respostas a essas questões e que levantemos as vozes de todas as pessoas que vão ser impactadas", defendeu a vice-presidente dos EUA.

"Todas as pessoas com deficiência, nos EUA, devem ter acesso total aos cuidados reprodutivos e aos cuidados reprodutivos de que precisam. Mas as restrições ao aborto que estão a ser estabelecidas no nosso país pelos chamados líderes extremistas, em vários Estados, vão ter um impacto desproporcional nas pessoas com deficiência", acrescentou, referindo que as pessoas portadoras de deficiência "têm taxas mais altas de complicações na gravidez" e "11 vezes mais probabilidades de morrer antes, durante e após o parto".

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