A violência tem sido uma constante ao longo da História do que se designa como conflito israelo-palestiniano, mas as imagens de uma carga policial sobre pessoas que participam num funeral, a bastonadas e pontapés, não poupando sequer as que transportam o caixão, surpreendeu vários leitores do Polígrafo que pediram uma verificação do clip de vídeo que está a ser partilhado nas redes sociais (do Facebook ao Twitter, entre outras).

O vídeo é autêntico e regista a carga policial que ocorreu no dia 13 de maio em Jerusalém Oriental, durante o funeral da jornalista Shireen Abu Akleh, assassinada no dia 11 de maio durante um ataque militar israelita na Cisjordânia ocupada.

A imprensa israelita, desde logo o jornal de referência "Haaretz", noticiou o sucedido, chegando mesmo a difundir outros vídeos (um dos quais da Al Jazeera, estação de televisão para a qual trabalhava Abu Akleh) com imagens da violência.

De acordo com o "Haaretz", a polícia israelita utilizou granadas de atordoamento contra a multidão que se juntou no cortejo fúnebre em Sheikh Jarrah, um bairro de Jerusalém Oriental, setor palestiniano da "Cidade Santa".

"Centenas de pessoas reuniram-se do lado de fora onde a procissão começou, muitas delas hasteando bandeiras palestinianas e cantando o que a polícia classificou como 'apelos de incitação nacionalista'. Pelo menos 10 necessitaram de assistência médica. (…) Imagens televisivas do cortejo fúnebre mostram forças israelitas a golpear com bastões os enlutados que carregavam o caixão de Abu Akleh", descreve-se no artigo do referido jornal. "A polícia disse que um grupo de manifestantes palestinianos começou a atirar pedras no complexo do hospital. 'Os agentes foram obrigados a atuar', acrescentaram".

Entretanto, a 14 de maio, o "Haaretz" informou que o comissário da polícia de Israel, na sequência da divulgação dos vídeos com imagens da carga policial, decidiu ordenar "uma investigação sobre as ações dos agentes durante os confrontos de eclodiram no funeral". O comissário Kobi Shabtai, em coordenação com o ministro da Segurança Pública, Omer Bar-Lev, "exigiu que os resultados da investigação lhe sejam apresentados nos próximos dias".

A intervenção policial já motivou até críticas públicas dos bispos de Jerusalém que condenam o "desrespeito" e apontam para "uma grave violação das normas e regras internacionais".

"A polícia entrou num estabelecimento de saúde cristão, faltando ao respeito à Igreja, faltando ao respeito ao estabelecimento de saúde, faltando ao respeito à memória dos mortos", declarou o administrador apostólico do patriarcado latino de Jerusalém Pierbattista Pizzaballa, exprimindo-se em nome dos bispos da "Terra Santa" no decurso de uma conferência de imprensa no hospital de São José.

"A intrusão da polícia e o seu uso desproporcionado da força (…) é uma grave violação das normas e regras internacionais, em particular do direito humano fundamental da liberdade de religião", sublinhou.

Jornalista de dupla nacionalidade palestiniana e norte-americana, com 51 anos de idade, Abu Akleh trabalhava para a Al Jazeera e cobria a ocupação militar de Israel na Palestina há mais de duas décadas. Morreu no dia 11 de maio, ao ser baleada na cabeça durante um ataque de forças militares israelitas. Estava a fazer uma reportagem no campo de refugiados da cidade de Jenin, na Cisjordânia, e utilizava um colete à prova de bala com a devida sinalização de "Imprensa".

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