Algumas horas depois da publicação do tweet, o autor partilhou mesmo uma ligação para o suposto vídeo, "para não acharem que é mentira".

Confirma-se que é um vídeo de campanha do Bloco de Esquerda e foi exibido no contexto de uma aula de Cidadania e Desenvolvimento?

O Polígrafo entrou em contacto com a Escola D. Fernando II, em Sintra, onde terá sido exibido o vídeo. A confirmação chegou pouco depois, através da coordenadora Maria de Fátima Macedo, que indicou ter sido utilizado como material de suporte numa aula de Cidadania e Desenvolvimento, para uma turma do 7º ano de escolaridade.

Não se trata, contudo, de um vídeo de campanha do Bloco de Esquerda. Difundido no canal do SMACK no YouTube, a maior parte do vídeo é replicada a partir de outro que foi produzido pela União do Setor Financeiro da Noruega, com o seguinte título em forma de pergunta: "O que é que estes miúdos percebem que os vossos chefes não percebem?" (tradução livre a partir do original em língua inglesa).

Para assinalar o Dia Internacional da Mulher, esse vídeo procura mostrar como as crianças percebem as desigualdades salariais entre homens e mulheres, num exercício prático que as coloca a realizar uma tarefa, recompensada de forma dissemelhante conforme o género.

A edição do SMACK é adaptada ao panorama português, com números e gráficos que demonstram situações de desigualdade ao nível nacional, incluindo um breve clip de vídeo de 10 segundos de Marisa Matias a discursar no Parlamento Europeu, em 2016.

Esse clip de vídeo, partilhado pela eurodeputada bloquista no Facebook em 2018, foi gravado num debate plenário sobre o Dia Internacional da Mulher, 8 de março. As palavras de Matias estão relacionadas com o conteúdo do vídeo original do Setor Financeiro da Noruega: "Ainda que algumas de nós gostem de receber flores, este não é seguramente um dia apenas para fazer flores. É um dia para celebrar a igualdade de direitos que está por cumprir".

Em suma, não é um vídeo de campanha do Bloco de Esquerda. Sem qualquer referência a a medidas políticas do seu partido, a intervenção de Matias é meramente inserida no contexto da igualdade de género, num dia que marca as disparidades que separam homens e mulheres em todo o mundo. No seu todo, o suporte utilizado carece de teor partidário, pelo que a denúncia em causa não tem fundamento.

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Avaliação do Polígrafo:

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Falso
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