Nas redes sociais, em particular no X, multiplicam-se as acusações de um alegado “crime contra a cidade”, expressão utilizada para denunciar um suposto abate indiscriminado de árvores em Lisboa.
A publicação em causa — que já soma perto de 10 mil visualizações — sustenta que “centenas de árvores foram derrubadas por toda a cidade nas vagas de tempestades sucessivas desde a Kristin” e que, apesar disso, o Executivo municipal terá decidido cortar também as que resistiram. Para reforçar a denúncia, o autor partilha um vídeo onde se vê um trabalhador numa grua a intervir numa árvore, bem como uma fotografia captada no mesmo momento.
A crítica intensifica-se com a seguinte acusação: “Estas sobreviveram a todas elas [as tempestades], mas não sobrevivem à incúria de Moedas enquanto presidente da Câmara de Lisboa no que toca à preservação do património arbóreo da cidade.”
O texto termina com uma referência direta a Entrecampos: “Começou o abate indiscriminado de árvores em Entrecampos. Primeiro vão os três plátanos, de seguida mais de 70 jacarandás. Um dia a história julgará este crime contra a cidade.”
Nos comentários, vários utilizadores recordam que decorre a época habitual de poda. Em resposta, o autor da publicação divulga uma nova imagem, na qual se observa que a árvore em causa terá sido efetivamente removida. Estará a Câmara Municipal de Lisboa a promover um corte indiscriminado de árvores?
Contactado pelo Polígrafo, o Executivo liderado por Carlos Moedas rejeita categoricamente essa alegação, classificando-a como falsa, e esclarece o caso concreto. Segundo a autarquia, foram removidos dois plátanos cujo transplante, após diversas inspeções técnicas às raízes, se revelou inviável.
A Câmara Municipal de Lisboa garante que mantém uma política de proteção e reforço do património arbóreo, alinhada com o objetivo estratégico de alcançar uma árvore por habitante até 2030. “A prioridade é sempre a proteção e salvaguarda das árvores existentes”, assegura fonte oficial.
Além de negar qualquer abate indiscriminado, a autarquia destaca que está em curso um processo de reforço da arborização da cidade. Está previsto o transplante de 40 árvores abrangidas por uma operação urbanística, garantindo a sua preservação em parques e jardins de Lisboa.
Em paralelo, foi assumido o compromisso de plantar de imediato 89 árvores de alinhamento urbano (com perímetro à altura do peito superior a 16/18 cm), a instalar em caldeiras atualmente vazias na freguesia das Avenidas Novas. Estas juntam-se aos 200 jacarandás anteriormente fornecidos pela mesma entidade, que se encontram nos viveiros municipais a aguardar plantação.
No total, estão previstas 329 novas árvores para a cidade.
Em suma, não há evidências de um abate indiscriminado promovido pela Câmara Municipal de Lisboa. Segundo a informação oficial, foram removidos apenas dois plátanos por inviabilidade técnica do transplante, estando em curso um plano que prevê a plantação de centenas de novas árvores em vários pontos da cidade.
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Avaliação do Polígrafo:

