"É isto. Têm dúvidas, pesquisem, informem-se. Não venham depois dizer que não sabiam", comenta-se numa das publicações do vídeo, em língua portuguesa, detectadas pelo Polígrafo.

O vídeo é protagonizado por supostos médicos e outros profissionais do setor da saúde de vários países. Alegam que a pandemia de Covid-19 é falsa e garantem que a nova vacina é perigosa, nomeadamente por "alterar o DNA humano". Também alertam que os humanos estarão a ser utilizados como cobaias e que a Covid-19 não é mais letal do que a gripe sazonal, entre outras considerações de denúncias.

Estas alegações têm fundamento científico?

Ao contrário do que alegam os protagonistas do vídeo, o facto é que a terceira fase da vacina da Pfizer/BioNTech iniciou-se em julho e terminou em novembro, tal como se informa em comunicado oficial da empresa farmacêutica. Os resultados foram publicados no dia 10 de dezembro na revista médica New England Journal of Medicine (NEJM) e foram baseados em dados de 43.661 mil voluntários.

A vacina da Oxford-Astrazaneca está também na terceira fase. Os resultados foram publicados na revista científica The Lancet e concluiu-se que se for administrada em duas doses completas, no mínimo 14 dias após a segunda dose, a taxa de eficácia ronda os 70,4%. Por outro lado, quando tomada no esquema de meia dose mais uma dose, a taxa de sucesso sobe para 90%. Os resultados basearam-se em dados de 11.636 mil voluntários entre o Reino Unido e o Brasil.

Os ensaios clínicos de fase três da farmacêutica Janssen Pharmaceuticals, que pertence ao grupo Johnson & Johnson, iniciaram-se em setembro. Em outubro foram interrompidos devido a "doença inexplicável" de um dos participantes. A empresa não descobriu evidências de que tivesse sido a vacina a causar a doença, pelo que os ensaios foram retomados num grupo de 60 mil voluntários nos EUA. Esta é uma das poucas vacinas que estão a ser desenvolvidas para o SARS-CoV-2 que necessita apenas de uma única injeção.

Quanto à suposta possibilidade de "alterar o DNA humano", tal como o Polígrafo já verificou anteriormente, essa alegação não tem fundamento.

Miguel Castanho, investigador do Instituto de Medicina Molecular (IMM) da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, garante que "é uma ficção sem qualquer fundamento ou validade científica" e que "não há relação de vacinas de RNA com esterilidade, da mesma forma que esta não é uma consequência observada para a Covid-19".

Em declarações ao Polígrafo, Miguel Castanho esclarece que "o código genético humano é constituído por DNA e não RNA" e que "as células humanas não convertem RNA em DNA, pelo que é impossível ao RNA reescrever o código genético".

As vacinas de base RNA são desenvolvidas através de uma técnica que consiste em inserir uma parte dos genes de um determinado patógeno em plasmídeos, moléculas de ácido ribonucleico presentes nas bactérias. Estes plasmídeos são injetados no corpo humano e entram nas células, onde reproduzem partes do agente causador da doença - neste caso, o novo coronavírus - para obter uma resposta imunológica do organismo. Ou seja, o código genético que é modificado é o de uma molécula de uma bactéria e não o de um ser humano.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:30

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