"Venho comunicar que Via Verde implementou um esquema para obrigar as pessoas a trocar de identificador e assim terem de aderir a um plano mensal para manterem os outros serviços de pagamentos automáticos para além das portagens. Em anos de Via Verde, uma minha, outra da minha esposa, outra dos meus pais, outra dos meus sogros e outra dos avós da minha esposa, ou seja, cinco identificadores, nenhum até aqui tinha dado problemas. No espaço de um mês todos recebemos a notificação de que os identificadores não estão a funcionar corretamente e será necessária a troca. Grande 'coincidência'", descreve um leitor em e-mail remetido ao Polígrafo, com pedido de verificação de factos.

"Todos os meus familiares referem que quando passam nas portagens acende a luz verde a aparece o preço no ecrã, ou seja, está tudo nos conformes.
Mas o meu caso é escandaloso pois eu não uso a Via Verde desde agosto e no mês de novembro recebi dois e-mails a dizer que o identificador 'continua a dar problemas'. Como é que continua a dar problemas se eu nunca mais usei o identificador desde agosto? É fácil comprovar isso através do extrato que os próprios enviam. (...) É claramente um esquema fraudulento da própria empresa para enganar os consumidores", remata.

Contactado pelo Polígrafo, o autor da denúncia afirma que as comunicações foram efetuadas via e-mail, sendo o assunto do mesmo "Identificador com falhas". Verificando o e-mail de origem - e tendo em conta a informação presente na página da Via Verde sobre possíveis tentativas de phishing -, constata-se que o remetente é fidedigno e provém da empresa

O e-mail em causa indica o seguinte: "O(s) seu(s) identificador(es) não está(ão) a registar corretamente as suas utilizações. Verifique se está(ão) mal colocado(s) no vidro do carro. Se não for esse o caso, deve substituí-lo(s). Pode substituir o(s) seu(s) identificador(es) aqui. Caso este assunto já se encontre resolvido, por favor ignore a presente comunicação."

Mas o autor da denúncia garante que os identificadores apresentaram sempre a "luz verde", não percebendo assim porque é que os mesmos não estão a registar corretamente as transações como indica o e-mail da Via Verde.

  • Via Verde não tem a possibilidade de mudar pilhas de identificadores e por isso os utilizadores têm de comprar ou alugar equipamentos novos quando estes deixam de funcionar?

    Em publicação viral nas redes sociais datada de 2017 descreve-se um suposto diálogo entre uma funcionária da empresa Via Verde e um cliente, em que este pretendia mudar a pilha do identificador que parara de funcionar depois de sete anos de uso. A funcionária garante que não é possível trocar a bateria sem danificar o equipamento. Tal como sucedeu há quatro anos, a Via Verde esclarece que estamos perante uma questão de segurança totalmente alheia à empresa: são os fabricantes desses equipamentos que recomendam que essa manipulação não seja feita de modo a não inutilizar o instrumento. Mais: os novos equipamentos entretanto introduzidos no mercado já nem permitem a substituição da bateria/pilha.

Não é caso único. Nas redes sociais encontramos outras queixas recentes sobre este serviço. Em publicação de 23 de novembro no Facebook alega-se o seguinte: "Recebi e-mail da Via Verde a informar que o meu identificador precisava ser trocado por estar a dar erros, no qual apresentavam logo proposta de troca (pagando 11 euros por ano, ou comprando por mais de 30 euros). Questionei-me porque tenho reparado que dá sinal verde e telefonei para a Via Verde. Estiveram a verificar e afinal o meu identificador não estava a registar erros, pois está bom."

"Moral da história, quem não confirmar nada é enganado a ir comprar identificador novo sem necessidade. Isto é enganar os seus clientes, em Portugal vale tudo", conclui-se.

O Polígrafo questionou a Via Verde sobre esta matéria, tendo fonte oficial respondido que a empresa "mantém a sua oferta de serviços com três planos que, contemplando serviços diferentes, prevêem três possibilidades de adesão: a subscrição de uma mensalidade, o pagamento de uma anuidade ou a compra do identificador. Os clientes podem optar livremente por uma destas três ofertas. Não houve qualquer alteração nos nossos serviços".

"Não estamos a receber dos nossos clientes questões diferentes das habituais. Em novembro, registámos um volume de cerca de 50 mil trocas de identificadores que resultaram em cerca de 150 reclamações. É um número inferior às reclamações de outubro e historicamente inferior à média de 2021 e 2022 face aos identificadores substituídos", realça a empresa.

Relativamente à questão de persistirem problemas quando o identificador não está a ser utilizado, a Via Verde nega, garantindo que analisa "cada reclamação individualmente e é de salientar que, por vezes, clientes que usam pouco ou raramente um identificador podem não se lembrar que passaram numa portagem há já algum tempo. Não é comum, mas acontece".

  • Via Verde instalou radares nas portagens para controlar limite de velocidade de 60 km/h?

    Um leitor do Polígrafo enviou uma imagem com texto associado que está a circular via WhatsApp, solicitando uma verificação de factos. Em causa está a informação de que acaba de ser instalado, em todas as portagens com Via Verde, um "sistema de controlo de velocidade de passagem por radares de controlo". Nesse sentido, avisa-se: "Não esquecer que o limite de velocidade de aproximação e passagem é de 60 km/h". Informação verdadeira ou falsa?

"Aproveitando esta oportunidade, a Via Verde gostaria de esclarecer que o processo de troca de identificador só se inicia quando há falhas repetidas, em que acende a luz amarela à passagem na portagem. É um processo implementado há muitos anos e que pretende proteger os clientes, de forma a garantir a segurança das transações financeiras associadas às passagens nas autoestradas, quer para identificadores adquiridos pelos clientes ou para identificadores de propriedade da Via Verde, em uso pelos clientes ao abrigo dos pacotes de subscrição mensal ou anual”, esclarece.

Sobre a acusação de se tratar de um esquema fraudulento, a mesma fonte assegura que não foram detetados problemas e a situação é monitorizada em permanência. "Como referido anteriormente, em novembro recebemos 150 reclamações, um número inferior a outubro e inferior à média dos últimos dois anos. Analisamos cada reclamação individualmente com uma resposta personalizada face ao caso em questão. Como tem sido um assunto muito falado, quer nas redes sociais quer na comunicação social, pode haver alguma amplificação que, no entanto, não é refletida pelo número de queixas reportadas".

"A Via Verde alerta os clientes em caso de problema, que é um problema operacional - esta é uma prática vigente há muitos anos e conhecida pelos nossos clientes. A decisão sobre a troca do equipamento, sobre a resolução do problema, é sempre dos clientes. E, como já respondemos, se um cliente decidir trocar de identificador, pode optar por qualquer uma das modalidades em vigor", conclui.

Não colocando em causa a veracidade do relato do leitor, ou a existência de problemas ("150 reclamações" em novembro, como admite a própria empresa) com o serviço do identificador da Via Verde, parece ser claro que os clientes podem optar livremente por trocar ou não o equipamento, assim como escolher uma das três modalidades de adesão. O que afasta a ideia de esquema fraudulento.

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Avaliação do Polígrafo:

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