Era um dos debates mais aguardados da série em curso que opõe os líderes dos principais partidos que se candidatam às eleições legislativas, agendadas para o dia 30 de janeiro de 2022. De um lado, o atual primeiro-ministro e líder do PS, António Costa. Do outro lado, o deputado e líder do Chega, André Ventura. E foram evidentes as duas visões quase diametralmente opostas sobre as mais diversas matérias. Desde logo no que respeita ao "legado" da governação de Costa.

"Só no ano passado 400 mil portugueses foram enviados da classe média para a pobreza. É o seu legado, o seu legado são 400 mil novos pobres. O seu legado são 500 mil pensionistas que perderam poder de compra o ano passado, em 2019. Pena é que não tenha sido Rui Rio a dizer-lhe isto e que tenha de ser o líder do Chega a dizer", afirmou Ventura.

Esta alegação tem fundamento?

Sim, o número indicado está patente num estudo intitulado como "O impacto da Covid-19 na pobreza e desigualdade em Portugal, e o efeito mitigadora das políticas de proteção" (acessível para consulta aqui), desenvolvido pelo PROSPER - Center of Economics for Prosperity, centro de investigação da Universidade Católica Portuguesa. Foi publicado em maio de 2021.

"A crise provocada pela pandemia teve um impacto significativo na  pobreza em Portugal. Calcula-se que mais de 400.000 pessoas caíram abaixo do limiar de pobreza (anexado ao  cenário sem crise para evitar um aumento artificialmente pequeno da pobreza causado pela redução do rendimento mediano). Isto significa um aumento da taxa de risco de pobreza de 25%, de 18,3% (no cenário sem crise) para 23% (no cenário com crise), invertendo a tendência de redução da pobreza iniciada em 2015", informa-se no estudo.

"Os pobres também ficaram mais pobres: calcula-se que a taxa de intensidade da pobreza, que indica o quão distante está o rendimento das pessoas mais pobres do  limiar de risco de pobreza, aumentou 8% em comparação com o cenário sem crise", acrescenta-se.

Para a elaboração do estudo foi utilizado o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (ICOR) de 2019 "para extrapolar os rendimentos de 2020". Além disso "foram elaborados vários cenários macroeconómicos para comparar os cenários com e sem crise ao longo de um ano".

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