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Ventura quer controlar a imigração mas em 2015 disse que Portugal devia reforçar o acolhimento de migrantes?

Política
O que está em causa?
Abrir primeiro para depois fechar: parece ser esta a política de André Ventura que, em 2015, defendia o reforço do acolhimento de migrantes em Portugal e manifestava-se contra os "lamentáveis" episódios de xenofobia. Agora, dias depois do ataque a dois imigrantes na cidade do Porto, o líder do Chega quer controlar a imigração.
© Rodrigo Antunes/Lusa

Nos últimos dias, o líder do Chega já partilhou dezenas de fotografias nas redes sociais de imigrantes armados e que promovem, segundo o próprio, falta de segurança no país. Depois do ataque a dois imigrantes na cidade do Porto, na última semana, André Ventura está empenhado em provar que “há um problema de imigração descontrolada em Portugal”, como disse em reação a este episódio. Mas será que, em 2015, ainda no PSD, Ventura escreveu que Portugal devia reforçar o acolhimento de migrantes?

Num artigo de opinião da autoria de André Ventura, colunista regular do “Correio da Manhã” até maio de 2020, com o título “Os refugiados e o Mar da Morte”, o líder do Chega defendia que “países como Portugal e a Irlanda não devem esquecer o seu passado e devem acolher o maior número de migrantes“.

“O Mediterrâneo transforma-se, estes dias, num verdadeiro mar de morte: migrantes resgatados todos os dias em condições desumanas, barcos naufragados e corpos estendidos sobre as ondas ou, como o pequeno Aylan, sobre a areia das praias nas imediações da Europa. (…) Parece-me evidente que não podemos simplesmente fechar os olhos e virar a cara ao drama humano que representam estes fluxos migratórios desesperados. Tão-pouco podemos impor exclusivamente esse ónus aos países voltados para o Mediterrâneo ou aos Estados mais ricos, como a Alemanha”, escreveu Ventura, numa altura em que ainda era militante do PSD.

Não deixando de alertar, contudo, para o que classificou como “o problema do terrorismo“, prevendo que “as redes terroristas (…) não hesitarão em infiltrar os seus guerrilheiros nesse imenso mar humano”.

Nesse sentido, concluiu da seguinte forma: “Agora somos vulneráveis ao imenso drama humano que se desenrola às nossas portas. E, na verdade, é impossível ser indiferente. Mas podemos bem vir a correr, num futuro próximo, atrás do prejuízo, com o coração e as principais artérias da Europa repletos de guerrilheiros da Jihad. E de comboios e autocarros destroçados, relembrando o Mediterrâneo como um imenso mar de morte”.

No mesmo artigo, Ventura fez também uma referência crítica ao “racismo na Europa“, sublinhando que “com a chegada de milhares de refugiados, alguns países europeus têm enfrentado lamentáveis manifestações de xenofobia que têm, em alguns casos, resultado em violentos confrontos”.

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