"Prometeu que se demitiria se a Ana Gomes ficasse à sua frente. De acordo com os resultados, a Ana Gomes fica à sua frente. Resta perguntar ao André Ventura se ele honrará a sua palavra, ou se levará os seus eleitores ao engano", comenta-se numa das publicações detectadas pelo Polígrafo ao longo da noite eleitoral.

A maior parte remete para um suposto tweet de Ventura, datado de 8 de setembro de 2020, no qual terá garantido que "se por acaso [Ana Gomes] ficasse à minha frente demitia-me de líder do Chega. Não vai acontecer!"

Começando pelos resultados das eleições presidenciais, de facto, Gomes superou Ventura por uma margem significativa: 12,97% contra 11,9% (diferença de 1,07%) dos votos registados, ou 541.345 contra 496.653 votos no total (diferença de 44.692), quando faltam apurar os resultados de apenas três consulados no estrangeiro (e com todas as freguesias do território nacional já apuradas).

Quanto ao tweet em causa, também se confirma que é autêntico. Foi publicado no dia 8 de setembro de 2020, na página de Ventura na rede social Twitter, apresentando a seguinte mensagem: "A Ana Gomes vai ser a pior candidata presidencial de sempre: histérica, obcecada com os seus inimigos de estimação, amiga das minorias que vivem do nosso trabalho. Se por acaso ficasse à minha frente demitia-me de líder do Chega. Não vai acontecer!"

Aliás, mais recentemente, no dia 12 de janeiro de 2021, em entrevista à rádio Antena 1, Ventura reiterou a promessa de se demitir da liderança do Chega no caso de não conseguir obter mais votos do que Gomes nas presidenciais.

"A Ana Gomes não tem o apoio oficial do PS. Acho que a maioria dos socialistas preferia que vencesse eu do que a Ana Gomes. Não tem, portanto, o apoio de ninguém no PS, excepto de alguns desalinhados. Tem o apoio do PAN e do Livre, penso eu. (…) Se eu, com o apoio do Chega, não consigo ficar à frente da candidata que tem o apoio do PAN e do Livre, fiz um mau trabalho", declarou nessa ocasião.

Questionado sobre se, nessa eventualidade, tencionaria recandidatar-se à liderança do Chega, Ventura respondeu de forma evasiva. "Há uma coisa que sei e admito: quero que o partido faça uma reflexão se esta liderança faz sentido ou deixa de fazer sentido", afirmou, sem se comprometer com um sim ou um não à intenção de se recandidatar logo após a demissão que, a confirmar-se, será mesmo a segunda demissão do líder, desde a fundação do partido em abril de 2019, há menos de dois anos.

Entretanto, ao discursar ontem à noite, Ventura garantiu desde logo que vai cumprir o prometido. "Nós somos firmes naquilo que defendemos. Ficámos aquém dos 15% que eu deveria ter, com algumas décimas de diferença da candidata que representa o que Portugal de pior tem, a esquerda mais medíocre e colada às minorias e àqueles que têm destruído Portugal. Não fugirei à minha palavra. Devolverei a palavra aos militantes do Chega", sublinhou.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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