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Ventura levanta suspeitas sobre nova ministra da Saúde. Será que Ana Paula Martins era administradora do Santa Maria durante o caso das gémeas?

Política
O que está em causa?
André Ventura já desejou sorte aos ministros do XXIV Governo Constitucional, mas ainda tem dúvidas sobre a sua idoneidade. Por exemplo, sobre Ana Paula Martins, escolha de Luís Montenegro para a Saúde, Ventura questionou esta sexta-feira se podem estar em causa "favores partidários", sugerindo que esta administrava o Hospital de Santa Maria durante o caso das gémeas luso-brasileiras.
@ Lusa

“A nomeação desta ministra da Saúde levanta questões importantes sobre o ‘caso das gémeas brasileiras’. Terão existido aqui favores partidários? O novo Parlamento terá de ter uma palavra a dizer”, escreveu esta sexta-feira (29) o líder do Chega, que recorreu à rede social X para comentar as escolhas de Luís Montenegro para o XXIV Governo Constitucional.

Com esta declaração, Ventura quis sugerir que Ana Paula Martins, a escolha do Primeiro-Ministro indigitado para a pasta da Saúde, esteve ligada ao Hospital de Santa Maria durante o caso das gémeas luso-brasileiras a quem foi administrado o medicamento para a atrofia muscular espinhal. Apesar da acusação, a nova ministra da Saúde só foi administradora do Santa Maria entre fevereiro de 2023 e janeiro de 2024. 

O medicamento de dois milhões de euros (quatro milhões no total) não foi administrado às crianças durante a liderança de Ana Paula Martins, mas foi sobre a futura ministra que caiu a polémica. Eis a linha dos acontecimento:

A 21 de outubro de 2019 Marcelo Rebelo de Sousa recebe um e-mail do filho referente à situação de duas gémeas luso-brasileiras: queria saber “se era possível o tratamento” no Hospital de Santa Maria, já que o Hospital Dona Estefânia tinha apresentado objeções.

Em dezembro de 2019 as duas gémeas aterram em Portugal para receber o Zolgensma, um medicamento descrito como o mais caro do mundo. A 23 e 25 de junho de 2020 o medicamento é administrado às crianças. O administrador do Hospital de Santa Maria era Daniel Ferro, que ficou no cargo até dezembro de 2022.

Segundo Ferro, as gémeas luso-brasileiras “cumpriam todos os critérios clínicos” para receberem o medicamento de dois milhões de euros. Ana Paula Martins só entra no caso para dar a conhecer a auditoria do Centro Hospitalar e Universitário de Lisboa Norte, onde se integra o Hospital de Santa Maria, que concluiu que as crianças “foram referenciadas ao departamento de Pediatria pela Secretaria de Estado da Saúde, segundo registo em dossier clínico, com consulta marcada pelo telefone”.

“No caso da consulta, os médicos acederam fazer a consultas, foi pedida autorização ao diretor clínico [Luís Pinheiro] e ao Conselho de Administração [liderado por Daniel Ferro] e essa autorização foi concedida”, disse Ana Paula Martins em dezembro do último ano, pouco depois de o caso ser conhecido.

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Avaliação do Polígrafo:

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