O candidato presidencial gabou o comportamento dos portugueses no exterior, ontem à noite em entrevista à RTP, mas a verdade é que não mencionou os quase 1.400 nacionais que estão detidos em países estrangeiros, grande parte deles na Europa.
“Tenho a certeza de que os portugueses que foram para França, para Inglaterra, Luxemburgo, Suíça… foram para lá trabalhar e construir aqueles países. Os portugueses não precisavam de cartaz nenhum porque sempre cumpriram as regras. Algum foi para França para não cumprir as regras? Os portugueses foram sempre cumpridores, exemplos de trabalho, sacrifício e dedicação”, considerou o líder do Chega e candidato à Presidência da República.
Os dados mostram, no entanto, que a percepção de André Ventura tem falhas. Segundo o Relatório da Emigração de 2022, elaborado pelo Observatório da Emigração, no final desse ano “contabilizava-se um total acumulado de 1.387 cidadãos nacionais detidos no estrangeiro“. O documento aponta ainda que a grande maioria dos detidos se encontra na Europa, nomeadamente no Reino Unido (312), em França (248), em Espanha (180), na Suíça (179), na Alemanha (120) e no Luxemburgo (116). Além disso, “fora da Europa foram identificados 124 cidadãos nacionais detidos”, sendo que o Brasil “continua a ser o país com o maior número de detenções de cidadãos nacionais fora do espaço europeu (40)”.
O relatório deixa ainda claro que o número de detidos do sexo masculino é “bastante mais significativo” (cerca de 70%) face ao sexo feminimo e que “a maior parte das detenções de que se conhece o motivo devem-se a Crimes com Estupefacientes, seguido dos Crimes contra a Pessoa, Crimes Sexuais e Homicídio”. Havia em 2022, a título de exemplo, 193 portugueses detidos por crimes com estupefacientes, 34 por homicídio e três por crime contra o Estado/terrorismo.
Quase todos os detidos estavam em prisão efetiva (826) e, de acordo com o Observatório, “o número de portugueses detidos no estrangeiro manteve-se em linha com os dados apurados em igual período do ano passado (registaram-se mais 10 nacionais detidos ou presos), destacando-se um aumento dos detidos na Europa (mais 65) e uma diminuição fora da Europa (menos 55)”.
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