"Olha, afinal o Chega do Prof. André Ventura não é anti-sistema? Cada vez mais parece um peão no tabuleiro de xadrez com o jogo atado", destaca Felipe Damasceno, Secretário do Conselho Nacional ADN - Alternativa Democrática Nacional, num "tweet" publicado a 29 de agosto. A par com o texto, o excerto de uma entrevista a Miguel Castro, cabeça de lista do Chega às eleições regionais da Madeira.

A entrevista de 25 minutos foi transmitida na RTP Madeira no dia 28 de agosto, no âmbito das eleições regionais da Madeira, agendadas para dia 24 de agosto. No excerto destacado no "X", o candidato pelo Chega é questionado sobre a possibilidade de acordos mediante uma hipotética situação no Parlamento em que a maioria precise do seu partido para formar Governo.

A esta questão, Miguel Castro começa por indicar que primeiro teriam de ver "quem era essa maioria". Interpelado pelo jornalista sobre a hipótese de ser o PS, o candidato acaba por não fechar a porta a essa possibilidade: "Não sei, não necessariamente." Relativamente a uma maioria do PSD, Castro reagiu com um "talvez".

"Nós temos uma ideia e até sabemos que o Chega vai eleger um grupo forte parlamentar e não vai ser preciso sequer fazer parte de qualquer solução de Governo. Agora, os madeirenses têm de saber que o Chega é um partido sério, não é um partido de protesto. O Chega é um partido que surge no panorama português pela necessidade dos cidadãos que se veem asfixiados em impostos, com uma carga fiscal tremenda, com salários baixíssimos, com empregos precários, com a vida social e económica cada vez mais devastada", indicou o cabeça de lista do partido liderado por André Ventura.

Mas será que a posição de Castro alinha com a do presidente da direção do partido?

Recordemos o discurso de André Ventura, no debate desta terça-feira na Assembleia da República, a menos de uma semana das eleições regionais da Madeira. Numa das suas intervenções, o líder do Chega afiançou que todos os partidos já haviam admitido a possibilidade de acordo com o PS para formarem Governo, à exceção do seu.

"Ontem já tinha visto outra coisa, e o que é que dizia? Dizia que Sérgio Gonçalves, candidato do PS à região autónoma da Madeira, só tem uma linha vermelha que é o Chega, mas admite acordos com a Iniciativa Liberal. E chegamos ao fim do dia e percebemos, com muito orgulho, que, de facto, só há um partido que nunca governará com o PS nesta Assembleia e nunca neste país. E, oiçam, cortaria as duas mãos se algum dia governasse com o PS", assegurou Ventura.

Mas a verdade é que, contrariamente ao que afirmou Ventura, essa possibilidade não foi rejeitada pelo candidato do seu partido às eleições da Madeira numa das principais entrevistas dadas nesse âmbito.

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