Esta sexta-feira, no segundo dia de debate sobre o Programa do Governo, na Assembleia da República, André Ventura aproveitou os primeiros dos seus 12 minutos de intervenção para se dirigir ao renovado Executivo de António Costa, na sequência da moção de rejeição que apresentou, não perdendo a oportunidade de lembrar os ministros que saíram:

"Este programa e este Governo que hoje aqui são apresentados devem ser rejeitados por este Parlamento. Por ineficácia, por incapacidade de responder aos problemas da população e sobretudo porque não apresentam o elenco de ministros de que precisávamos para Portugal. Já sabíamos que, entre ministros, tínhamos os que destroem a TAP intensamente, os que contribuem com os russos intensivamente e os que preparam o 25 de abril a preço de ouro."

Mas este Governo, retomou Ventura, "não é só sobre os que aqui estão. É também sobre os que saíram e que hoje soubemos que saíram com uma reforma de 6.750 euros por mês. Eu olho para os portugueses que nos estão a ver cara a cara e pergunto se acham normal que uma ministra da Justiça se reforme com 6.750 euros por mês quando há bombeiros a receber 300 e 400 euros todos os meses".

A narrativa do bombeiro que recebe 300 euros por mês já foi desmontada pelo Polígrafo várias vezes, dada a insistência e repetição de Ventura no tópico, mas e quanto a Van Dunem? É mesmo verdade que se reformou, depois de ocupar o cargo de ministra da Justiça (e ter até acumulado o de ministra da Administração Interna nos últimos meses) no último Governo de Costa, com 6.750 euros?

O valor está correto e foi noticiado recentemente, pelo que não havia muito por onde errar. Ainda assim, Ventura esqueceu-se de referir que a ex-ministra se aposentou enquanto juíza conselheira, com a tal reforma de 6.750 euros por mês.

Os registos publicados esta quarta-feira, 6 de abril, pela Caixa Geral de Aposentações (CGA), em "Diário da República", mostram que Francisca Van Dunem vai passar a estar reformada, bem como Nuno Crato, ex-ministro da Educação de Pedro Passos Coelho, a partir do próximo mês de maio, este último reformado como professor catedrático do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) com 4.472 euros por mês.

Em suma, as palavras de Ventura levam a crer que a ex-ministra da Justiça se terá reformado deste cargo em específico, o que não é verdade e demonstra imprecisão no discurso do líder do Chega.

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