No próximo dia 26 de maio, caberá a André Ventura encerrar a manhã como orador na terceira convenção do MEL, no Centro de Congressos de Lisboa, logo após a conclusão de um painel centrado na "intolerância cultural" e "ditadura do politicamente correto" (pode consultar aqui o programa).

O líder do partido Chega já tinha participado na segunda convenção do MEL, em março de 2020, mais precisamente num debate sobre "as novas alternativas ao espaço da extrema-esquerda e do socialismo radical", juntamente com Miguel Morgado (PSD) e João Cotrim de Figueiredo (Iniciativa Liberal).

Mas recorda-se do que Ventura disse sobre a primeira, em 2019, para a qual não foi convidado?

Estávamos em janeiro de 2019, a cerca de duas semanas do então movimento Chega iniciar o seu processo de formalização como partido político, e Ventura (o rosto daquele grupo de cidadãos) não fora convidado pelos promotores da primeira convenção do MEL, a qual decorreu nos dias 10 e 11 de janeiro.

Precisamente na manhã do dia 10, no programa "Fórum TSF", Paulo Carmona, um dos  promotores do evento, explicou os critérios que levaram ao convite daqueles oradores e não de outros, afirmando que a ideia do MEL não era combater os políticos ou os partidos e que, por esses motivos, Ventura não cabia na convenção.

Minutos depois, em direto, o ex-militante do PSD e ex-candidato à Câmara Municipal de Loures respondeu assim ao facto de ter sido ignorado por aquela iniciativa e à respetiva fundamentação: "Eu acho que os líderes de direita e centro-direita deviam ter alguma vergonha em participar nisto hoje porque já toda a gente percebeu ao que vem. Quer dizer, as intervenções que tem tido, as referências que apresenta, as citações que faz e as pessoas com que se apresenta mostram bem o tipo de movimento que é, portanto, qualquer líder de direita e centro-direita devia estar envergonhado de participar num movimento como este".

O agora participante das convenções do MEL referiu ainda que tal movimento "é um híbrido, é uma inutilidade", considerando que não tinha "uma única proposta para a Europa", sendo "apenas uma plataforma de onde não se retira absolutamente nada".

Ventura concluiu até com um agradecimento ao não convite: "É um favor que me faz a mim, pessoalmente, de não me convidar a estar presente e não nos pedir a nós, do Chega, para estarmos presentes numa inutilidade deste tipo".

Em suma, é verdade que Ventura afirmou que "qualquer líder de direita devia estar envergonhado de participar num movimento como este [MEL]", referindo-se à primeiro edição de um evento do qual, agora, na terceira edição, vai ser um dos seus oradores principais.

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