O gráfico apresenta uma disposição estranha dos cinco candidatos. Apesar de ter uma menor percentagem de intenções de voto do que Marcelo Rebelo de Sousa (60,3%) e Ana Gomes (14%), o deputado André Ventura (9,4%) destaca-se na segunda posição do gráfico, com uma barra quase ao nível do líder, Rebelo de Sousa, atual Presidente da República e putativo recandidato (importa salientar que ainda não anunciou ou confirmou publicamente essa muito provável recandidatura).

Ou seja, é um gráfico desproporcional (embora as percentagens indicadas estejam corretas, de acordo com a mais recente sondagem), extrapolando as intenções de voto em Ventura, sob o seguinte mote de propaganda partidária do Chega: "O povo português está a acordar".

Não menos estranha é a citação de Ventura associada ao gráfico, apontando para a disputa de uma segunda volta, mesmo estando na terceira posição em intenções de voto.

Mas será que o terceiro mais votado na primeira volta teria acesso à segunda volta? Ou realizar-se-ia sequer uma segunda volta tendo um dos candidatos obtido 60,3% dos votos na primeira volta?

De acordo com o disposto na Lei Eleitoral do Presidente da República, Artigo 10º (Critério da eleição), "será eleito o candidato que obtiver mais de metade dos votos validamente expressos, não se considerando como tal os votos em branco; se nenhum dos candidatos obtiver esse número de votos, proceder-se-á a segundo sufrágio, ao qual concorrerão apenas os dois candidatos mais votados que não tenham retirado a sua candidatura".

Como tal, considerando as intenções de voto da última sondagem como se fossem os resultados eleitorais, o facto é que não seria realizado um segundo sufrágio (ou segunda volta), na medida em que Rebelo de Sousa obteria mais de metade dos votos validamente expressos.

E mesmo na situação hipotética de uma segunda volta, em que nenhum dos candidatos obteria mais de metade (50% mais um) dos votos, Ventura teria que ser um dos "dois candidatos mais votados" para poder disputar a segunda volta. Ficar na terceira posição não dá acesso ao eventual segundo sufrágio, independentemente da maior ou menor percentagem de votos que o candidato obtenha.

Concluímos assim que a publicação em causa é duplamente enganadora: além de apresentar um gráfico desproporcional, sugere erradamente que Ventura disputaria uma segunda volta da eleição presidencial sendo o terceiro candidato mais votado numa primeira volta em que, além do mais, um dos candidatos obteria 60,3% dos votos.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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