"Como é que a Ómicron chegou à Austrália se os não vacinados não podem entrar nem sair do país?" Esta é a pergunta colocada nas publicações que estão a circular nas redes sociais, em várias línguas. Em alguns casos acrescentam-se mensagens mais afirmativas, mas mesmo no formato de pergunta há uma alegação explícita - "os não vacinados não podem entrar nem sair" - e um pressuposto implícito - os vacinados não transmitem a Covid-19.

Estas publicações começaram a aparecer pouco tempo depois de o Estado australiano de Nova Gales do Sul ter confirmado, a 28 de novembro de 2021, que duas pessoas em Sydney estavam infetadas com a variante Ómicron. Eram viajantes oriundos da África Austral e testaram positivo na chegada à cidade australiana. De acordo com as autoridades de Saúde locais, estavam ambos completamente vacinados.

Em vários artigos de verificação de factos que analisaram os posts em causa (pode consultar aqui e aqui, entre outros exemplos) apurou-se que, na realidade, as pessoas não vacinadas contra a Covid-19 podem entrar e sair da Austrália, embora com algumas limitações. As regras atuais determinam que os viajantes não vacinados devem cumprir medidas mais restritas do que os vacinados. Nomeadamente "a obtenção de autorização para viajar, viajar dentro do limite de passageiros internacionais e cumprir uma quarentena obrigatória e controlada de 14 dias".

  • Vacinas de mRNA prejudicam o desenvolvimento do sistema imunitário das crianças?

    É um vídeo que se tornou viral no Facebook e exibe um discurso de Daniel Nagase, médico canadiano, alertando para supostos efeitos nocivos das vacinas de mRNA contra a Covid-19 no sistema imunitário (ainda em desenvolvimento) das crianças. Mais especificamente porque "instruem as células a produzir uma proteína não humana". Verificação de factos.

As exceções previstas para que pessoas não vacinadas possam viajar incluem a necessidade de atendimento médico urgente, trabalho e motivos de força maior ou humanitários. As regras estabelecem ainda que os viajantes não vacinados devem permanecer em quarentena durante 14 dias numa instalação administrada pelo Governo. Por seu lado, os viajantes vacinados podem cumprir este período de isolamento em casa.

Além disso, importa esclarecer que as vacinas contra a Covid-19 reduzem o risco de desenvolver doença grave e, como consequência, também o risco de morte. No entanto, as pessoas vacinadas continuam a ter capacidade de transmitir o vírus.

No dia 24 de novembro, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde alertou precisamente para este facto, relativamente à disseminação da variante Delta. "Há dados que sugerem que, antes da chegada da variante Delta, as vacinas reduziam a transmissão em cerca de 60%. Com a Delta tal caiu para 40%", declarou Tedros Adhanom Ghebreyesus, numa conferência de imprensa sobre a evolução da pandemia de Covid-19.

A mesma informação é divulgada na página da Direção-Geral da Saúde: "As vacinas protegem contra a doença, mas não necessariamente contra ser 'portador' e transmitir o vírus".

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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