O Twitter, tal como as suas plataformas rivais, assenta num modelo de negócio que permite aos seus utilizadores usufruírem gratuitamente da rede social. Em contrapartida, a empresa torna-se rentável através da venda de publicidade. De acordo com o jornal "The Wall Street Journal", a dependência do Twitter do rendimento proveniente dos anunciantes ronda os 87%, mas o investimento tem vindo a cair.

Segundo o relatório Q2 2020, em que são apresentados os rendimentos do Twitter aos investidores, houve uma quebra de 23% na publicidade entre os meses de abril e junho de 2020. Foi neste contexto que começaram a surgir os primeiros rumores sobre a possibilidade de um serviço de subscrição pago dentro da plataforma.

O anúncio publicado no site do Twitter procurava engenheiros para se juntarem a uma equipa - com o nome de código Gryphon, responsável pela construção de um serviço de subscrição. Jack Dorsey, CEO do Twitter, confirmou, numa carta aos investidores, que o serviço “está numa fase muito inicial de exploração”, mas que a empresa procura diversificar as suas fontes de rendimento, acrescentando que o Twitter “tem uma fasquia muito alta em relação ao momento em que poderia pedir aos consumidores para pagar por funcionalidades”.

A ideia de equilibrar as receitas dos anunciantes com subscrições dos utilizadores já tinha surgido anteriormente. Em 2017, o CEO do Twitter confirmava ao jornal "The Verge" que estava em análise um serviço premium exclusivo para utilizadores com elevada influência na plataforma, marcas e organizações noticiosas. O serviço era pensado para jornalistas, marketeers e outros profissionais que poderiam beneficiar de uma gama mais ampla de estatísticas e dados informativos, complementando as funcionalidades do Tweetdeck.

Na altura, Brielle Villablanca, representante do Twitter, negou, num comunicado divulgado pelo "TechCrunch", que o interesse no pacote premium seria uma reação à quebra da publicidade. “Queremos explorar várias maneiras para fazer com que o Tweetdeck seja ainda mais valioso para os profissionais”, justificou Villablanca.

O serviço de subscrição que está agora a ser desenvolvido pelo Twitter tem um propósito diferente. Qualquer pessoa poderia usufruir de uma subscrição paga na plataforma e as vantagens estariam associadas, maioritariamente, à utilização do Twitter - não à interpretação dos seus dados.

Numa primeira fase, a rede social está a testar, junto dos seus utilizadores, quais as funcionalidades que poderiam estar disponíveis, de forma exclusiva, para subscritores. Como relatado pelo repórter Andrew Roth, o Twitter divulgou um inquérito a propósito do serviço em que se pedia aos utilizadores para indicarem, de entre uma lista de sugestões, quais as ferramentas que consideram de maior relevância.

Destaca-se a opção de existir uma janela temporal de 30 segundos, que permitiria editar o tweet antes de ser visto por alguém e a possibilidade de o utilizador ver um menor número de anúncios no feed. No inquérito existem também várias perguntas que põem em causa a própria ideia, questionando sobre se o modelo pago poderia prejudicar o Twitter como uma plataforma livre.

Jack Dorsey, em declaração aos investidores, anunciou que existe a possibilidade de se desenvolverem os primeiros testes do serviço de subscrição ainda em 2020, sendo que este serviço está a ser desenvolvido como um acrescento ao modelo gratuito que hoje conhecemos, não como uma substituição.

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